Promotor lava as mãos e pendura Morenão na conta do Aleixo

luiz eduardo de almeida - vistoria morenão

Promotor Luiz Eduardo de Almeida e vice-presidente da FFMS Marco Tavares no Morenão
(Foto: Ana Paula Leite/MPE)

O promotor de Justiça Luiz Eduardo de Almeida pareceu ter os dois pés atrás para liberar o Estádio Morenão.

Deu um “ok” aos laudos de engenharia, segurança, prevenção e combate a incêndio e pânico e vigilância sanitária  – entregues pela Federação de Futebol do Estado (FFMS) -, mas quis ver com os próprios olhos as condições da praça esportiva.

Fez ressalvas diante da sujeira encontrada em pontos do estádio durante a vistoria na manhã de quinta-feira (17).

Acabou por liberar o lado coberto do Morenão, não sem antes exigir uma série de novos reparos e adequações nos sistemas estrutural e elétrico, que devem ser corrigidos em até três meses para evitar uma interdição.

Os problemas foram apontados como de “grau médio” pelo engenheiro Eduardo Aleixo, responsável pelo laudo de engenharia que aprovou – com restrições – as condições da praça esportiva.

Mas a prova cabal da hesitação do promotor em autorizar o uso do estádio se concretizou na quarta-feira (16), quando se reuniu com Aleixo e conseguiu um álibi.

Luiz Eduardo de Almeida fazia questão do encontro. Queria a presença do engenheiro na 43ª Promotoria, fosse na quarta, fosse na quinta-feira, como mostram os autos do inquérito aberto para apurar as condições de segurança do torcedor no Morenão.

Aleixo foi até o promotor faltando quinze minutos para o fim do expediente comercial. Se deparou com o relatório de vistoria elaborado pelo Departamento Especial de Apoio às Atividades de Execução (Daex) do MPE. O documento reforçava os problemas estruturais já observados pelo engenheiro e apontava outros.

O profissional foi questionado sobre o risco efetivo de algum incidente no Morenão diante das anomalias de grau médio.

Eduardo Aleixo não se atreveu a contrapor o documento do Daex e ainda garantiu não haver risco algum.

Era o que o promotor queria ouvir, tanto que logo encerrou a reunião.

Luiz Eduardo de Almeida expôs o garantia dada por Aleixo na deliberação em que comunicou a liberação do estádio. Duas vezes.

fac-simile mpe1

Fac-símile: promotor reproduz garantia do engenheiro na deliberação que liberou o Morenão

fac-simile mpe2

Fac-símile: duas vezes

De mãos limpas, o promotor aparenta ter colocado o principal estádio de Campo Grande na conta do engenheiro.

Fato é que ninguém está disposto a segurar a bucha. O risco de olhar para dentro do canhão e ver uma luz flamejante é cada vez maior.

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