O dedo do professor na eliminação do Operário da Copa do Brasil

O blogueiro aqui não quer pedir a cabeça de Arilson Costa após a eliminação do Operário da Copa do Brasil, sacramentada na quarta-feira (13), no Morenão, após sacolada de 4 a 1 para o Botafogo-PB.

A queda era esperada. O favoritismo era todo dos paraibanos, que só não subiram para a Série B no ano passado por um capricho do destino.

O time do técnico Evaristo Piza – no Botafogo-PB há nove meses – joga a Série C, sonho de consumo do cambaleante futebol sul-mato-grossense, desde 2014. Um ano antes, o Belo foi campeão da Série D, massacrante realidade do futebol sul-mato-grossense.

O Botafogo-PB brigou para subir ainda em 2016, quando chegou às quartas de final. Se acomodou e quase voltou à última divisão nacional em 2017. Mas caiu em si e novamente lutou pelo acesso no ano passado.

Todos os ventos sopravam à favor do clube nordestino, que, quase ia me esquecendo, está invicto nesta temporada.

Isto posto, o Operário reunia condições de desempenhar um papel melhor. Não o fez porque Arilson foi um tanto inocente.

Arilson Costa - anderson ramos divulgação ofc

Arilson Costa, comandante do Galo, durante treinamento (Foto: Anderson Ramos/Divulgação OFC)

O treinador do Galo já havia adiantado que não mudaria a postura de seu time e apostou nos 11 que vinham jogando o capenga Campeonato Estadual.

A dupla de zaga formada por Rodrigo Arroz e André Paulino é pesada e talvez funcionaria se o Botafogo-PB tivesse um camisa 9 de ofício, postado dentro da área.

Mas Nando não é isso. Tanto que era visto na intermediária, puxando a marcação para a infiltração dos ligeiros Dico, Clayton e Marcus Vinicius.

O temperamental volante Eduardo Arroz teve atuação lamentável, mas não exclusivamente por deficiência técnica. Arroz não é exatamente um jogador de marcação forte, tampouco vigoroso.

Seu companheiro de meio-campo, Alberto, também não tem esse perfil. Combinado com a pouca participação do camisa dez Jean Carlo na recomposição defensiva, sobrava espaço para o organizado Botafogo-PB trocar passes e encontrar brechas no ataque.

O primeiro gol do Belo, que nasce de uma roubada de bola no lado direito ofensivo e termina com a finalização de Dico no flanco esquerdo, é prova da frouxidão defensiva do Galo.

A bola circula por toda a intermediária sem nenhum operariano para oferecer resistência. A zaga está rendida quando Dico desce em velocidade e livre de marcação.

Natan, volante com mais pegada e mais pulmão, entrou só depois do terceiro gol botafoguense, na vaga de Jorginho.

A expulsão do atacante Thiago Miracema, ainda na primeira etapa, não pode ser colocada na conta de Arilson. O camisa nove tem 31 anos. Não é nenhum garoto. Nada justifica sua irresponsabilidade no lance da cotovelada em Rogério.

Mas a opção do técnico por Miracema deve ser questionada. A pressão que o jogador faz na saída de bola adversária, um de seus pontos fortes, só faria sentido se o Galo tivesse condição técnica e coletiva de adiantar sua marcação e controlar as ações do jogo. Funciona no Estadual, nivelado por baixo, mas não contra um time nitidamente superior.

No domingo (10), na vitória por 3 a 0 sobre a Serc, o centroavante Jones sugeriu que poderia ser útil para o duelo pela Copa do Brasil.

Diferente de Miracema, o jogador segura melhor a bola no campo ofensivo e ganha disputas pelo alto, duas qualidades que poderiam desequilibrar à favor do clube campo-grandense, dadas as limitadas chances do Operário vencer jogando de pé em pé.

Mesmo sem um banco de reservas de encher os olhos, Arilson mexeu mal.

Jean Carlo saiu para a entrada de Emerson Santos, talvez pensando na velocidade e no bom “um contra um” do reserva. Mas, com um a menos, Santos precisava se desdobrar na marcação e sequer apareceu nas poucas vezes em que o Galo tinha a bola.

A opção por Pedro Hulk no lugar do lateral-esquerdo Gerson só pode ser entendida sob a ótica do desespero. Eduardo Arroz já vinha mal em sua posição e foi deslocado para o espaço antes ocupado pelo ala.

Ainda fora de forma e sem ritmo de jogo, o folclórico Hulk foi presa fácil para os marcadores do Belo.

A participação dos times de Mato Grosso do Sul na Copa do Brasil costuma ser breve. O ranking de federações da CBF mostra que o futebol do Estado só está na frente de Tocantins, Espírito Santo, Rondônia, Amapá e Roraima.

As campanhas de Naviraiense (2013) e de Comercial (1994!) são raríssimas exceções à regra. O futebol pobre rege Mato Grosso do Sul há pelo menos 25 anos. Para se destacar é preciso deixar a arrogância de lado e assumir o papel que nos cabe, com humildade e cautela.

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