Wilson come a bola no Comerário

Wilson dos Santos Januário, 23 anos, alagoano. Comeu a bola no Comerário, mas a fome só bateu no segundo tempo.

O camisa 7 operariano até tentou, ciscou e insistiu na etapa inicial. Nada feito. Parava na forte marcação comercialina. A pressão estava ali logo que a bola chegava em seus pés. O drible curto não saía. O disparo em velocidade empacava.

Jeferson Querino, volante do Comercial já apelidado de Mascherano, foi expulso no fim dos primeiros 45 minutos.

Wilson agradeceu a todos os Santos, inclusive a São Januário. Com um a menos do outro lado, o espaço que lhe faltava agora sobrava.

Minuto inicial do segundo tempo e o lateral-esquerdo Luiz Jorge encontra Wilson nas costas da zaga colorada. O alagoano escora de cabeça e Leandro Diniz completa, de peixinho. A torcida operariana gosta e sabe que, caiu na rede, é peixe.

Aos 11, Wilson inverte a jogada da direita para esquerda ao camisa 11, Igor, que vê a ultrapassagem de Eduardo Arroz e dá o passe. O volante cruza rasteiro e Wilson aparece para terminar o que começou.

Para fechar a conta, Wilson desempaca o disparo em velocidade pelo meio, rasga a zaga comercialina e, com toque de classe, encobre o goleiro Zé Augusto. Finalização perfeita para um lançamento magistral de Igor.

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Golaço de Wilson encobrindo Zé Augusto (Foto: Marcelo Ezoe)

O gol de Rodrigo Ost em um chute preciso de perna direita – que não é a boa – serviu para mostrar que também há brilho do lado colorado.

Mas o Galo tinha Wilson que, fominha, tirou o alvinegro do jejum de nove anos sem vencer o maior rival.

Agora a sina se inverte: é o Comercial quem não triunfa sobre o Operário há um bom tempo – desde 2011.

Do estado onde Zumbi dos Palmares resistiu e lutou para libertar seus iguais da escravidão veio Wilson dos Santos Januário, que, como um mártir, libertou a torcida operariana do longo período sem vitórias no clássico.

Resultados do fim de semana

Sábado (18)
União/ABC 2 x 2 Chapadão – Grupo A
Corumbaense 1 x 1 Naviraiense – Grupo B

Domingo (19)
Urso 1 x 1 Sete de Setembro – Grupo B
Operário 3 x 1 Comercial – Grupo A
Costa Rica 1 x 2 Novo – Grupo A
Águia Negra 2 x 0 Ivinhema – Grupo B

Classificação do Sul-mato-grossense 2017

Grupo A P J V GP SG
1º Operário  9  4  3 10  7
2º Chapadão  6  4  1  7  1
3º União/ABC  5  4  1  7  -3
4º Costa Rica  4  4  1  6  -1
5º Comercial  4  4  1  6  -2
6º Novo  4  4  1  5  -2
Grupo B P J V GP SG
1º Corumbaense  7  3  2  4  2
2º Águia Negra  6  3  2  4  2
3º Urso  4  3  1  3  0
4º Ivinhema  3  3  1  2  -2
5º Naviraiense 2  3  0  3  -1
5º Sete de Dourados  2  3  0  3  -1

“A” de Equilíbrio

Equilíbrio é a palavra que resume as primeiras três rodadas no Grupo A do “Sul-mato-grossensezão” 2017. Fora o Novo, que, pelo futebol mostrado até aqui, flerta com o primeiro rebaixamento de sua história, ninguém é de ninguém.

Comecemos pelo Comercial. Jogou bola e convenceu na estreia com vitória sobre o Novo; falhou muito e perdeu para Chapadão na rodada seguinte; e neste domingo (12) precisou transpirar bastante para fazer um golzinho no União/ABC, pior defesa do campeonato, e empatar o jogo.

O Operário teve início avassalador, goleando o União/ABC na primeira e passando por cima do Novo na segunda. Na hora de engatar a terceira, engasgou no Laertão e perdeu para o Costa Rica. Banho de água fria no ainda líder Galo.

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Lance de Costa Rica 1 x 0 Operário (Foto: Raul Rodrigues/Operário FC)

Chapadão arrancou um empate em Costa Rica e virou pra cima do Comercial. No momento de embalar, tropeçou no Novo – ainda que fora de casa. Resultado? Perdeu boa chance de encerrar a rodada 3 na liderança do grupo.

A equipe do União/ABC talvez seja a que mais surpreendeu até agora. A sacolada sofrida diante do Operário na estreia acordou a garotada do técnico Robert, que protagonizou uma virada épica sobre Costa Rica na segunda rodada e impôs dificuldade para o Comercial na terceira. Se a prioridade é seguir na “A”, está na meta (por enquanto).

Por fim, Costa Rica mostrou força batendo o melhor time da chave depois de empatar em casa com Chapadão e de sofrer aquela derrota bizarra para o União/ABC. Saiu da lanterna para embolar a tabela de classificação.

A próxima rodada promete definir melhor quem briga pelo que na Chave A.

Operário e Comercial se enfrentam em clássico e é aquela história: jogo bom para instaurar crise ou acalmar os ânimos da exigente torcida comercialina. Bom também para acender o sinal amarelo no Galo ou derrubar um tabu de nove anos sem vencer o rival.

O União/ABC tentará entrar no G-4, mas precisa derrubar a invencibilidade do vice-líder Chapadão. O Novo tentará sair da lanterna, mas precisa vencer seu primeiro jogo fora de Campo Grande, contra o Costa Rica.

Segue o equilíbrio ou a balança pende para algum lado? Aposto na primeira opção, mas devagar com o andor.

PS: No sábado (11), o Sete de Dourados foi eliminado na fase preliminar da Copa Verde depois de sofrer um 3 a 0 do Ceilândia-DF, no jogo de volta, no Distrito Federal. Onde teria chances de ir mais longe, não foi. Vai entender…

Resultados do fim de semana

Sábado (11)
Novo 1 x 1 Chapadão – Grupo A

Domingo (12)
Comercial 1 x 1 União/ABC – Grupo A
Costa Rica 1 x 0 Operário – Grupo A
Corumbaense 1 x 0 Águia Negra – Grupo B
Urso 0 x 1 Ivinhema – Grupo B

Classificação do Sul-mato-grossense 2017

Grupo A P J V GP SG
1º Operário  6  3  2 7  5
2º Chapadão  5  3  1  5  1
3º Comercial  4  3  1  5  0
3º Costa Rica  4  3  1  5  0
5º União/ABC  4  3  1  5  -3
6º Novo  1  3  0  3  -3

 

Grupo B P J V GP SG
1º Corumbaense  6  2  2  3  2
2º Ivinhema  3  2  1  2  0
3º Naviraiense  1  1  0  1  0
3º Sete de Dourados  1  1  0  1  0
5º Águia Negra 0  1  0  0  -1
5º Urso  0  1  0  0  -1

Tempo extra

Imagine o seguinte: você e mais onze pessoas são candidatos a uma vaga de emprego e precisam passar por uma prova. Porém, dois desses concorrentes ao cargo – e nenhum é você – terão duas semanas a mais de preparação para o teste. Justo?

Queira ou não, Águia Negra e Urso só estreiam no Campeonato Sul-mato-grossense neste domingo (12) – duas semanas depois de Comercial 2 x 1 Novo, partida que abriu o torneio este ano. Queira ou não, são 14 dias a mais de treinamentos e aperfeiçoamento físico para os times de Rio Brilhante e Mundo Novo.

Águia e Urso começariam o Estadual no mesmo dia de Comercial 2 x 1 Novo. Era o que previa a tabela da Federação em dezembro do ano passado. De lá para cá, foram inúmeras mudanças na programação, por falta de laudos de estádios e ajustes devido a participação de Sete e Comercial em Copa do Brasil e Copa Verde.

A culpa passa pela demora dos clubes para regularizar suas casas, pela passividade dos times que estão em dia com suas obrigações em não exigir de seus adversários o mesmo rigor e também pela inércia da Federação de futebol, que dificilmente pune seus associados.

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Urso de Mundo Novo durante amistoso
(Foto: Reprodução/www.cesargaleano.com)

Tininho, técnico do Águia, e Jandaia Caetano, treinador do Urso, não têm nada a ver com a paçoca e aproveitaram o tempo extra para acertar o futebol de suas equipes. O time de Mundo Novo, que não é bobo, aproveitou o calendário a favor para disputar três amistosos – bastante para a curta pré-temporada da maioria dos clubes do Estado.

Contando que as comissões técnicas fizeram o dever de casa e os atletas se dedicaram, não deve faltar perna para Águia Negra e Urso neste domingo.

Jogos do fim de semana pelo Estadual 2017

Sábado (11)
Novo x Chapadão – 17h, no Morenão – 3ª rodada do Grupo A

Domingo (12)
Corumbaense x Águia Negra – 16h, no Arthur Marinho – 1ª rodada do Grupo B
Urso x Ivinhema – 16h, na Toca do Urso – 1ªrodada do Grupo B
Comercial x União/ABC – 16h, no Morenão – 3ª rodada do Grupo A
Costa Rica x Operário – 16h, no Laertão – 3ª rodada do Grupo A

OBS: A Toca do Urso não teve liberação confirmada até o fechamento deste texto, ou seja, Urso x Ivinhema pode ser adiado novamente ou mudar de local.

Pintando o Sete

Não existe time grande em Mato Grosso do Sul. Não mais. Existem times com tradição, quase sempre traduzida em títulos, e times em busca dos feitos que construirão sua história. O Sete de Setembro, de Dourados, se encaixa neste segundo perfil, mas ousa rasurar a linha que o separa do primeiro.

Em 2016, ano de seu primeiro título estadual, o Sete se tornou o primeiro time sul-mato-grossense a avançar para a segunda fase do Campeonato Brasileiro Série D – após oito edições do torneio. Caiu no estágio seguinte, diante do Fluminense de Feira-BA.

Ontem, quarta-feira (8), quiseram os deuses do futebol que, em sua primeira participação, o SETE protagonizasse a SÉTIMA classificação de um sul-mato-grossense a segunda fase da Copa do Brasil – em sua 29ª edição. Quiseram os deuses, mas quis também o zagueiro Juan, autor do gol da vitória pelo placar mínimo sobre o River-PI, diante de 2,5 mil torcedores no Douradão.

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Zagueiro Juan, autor do gol sobre o River-PI (Foto: Gazeta MS)

Em 17 confrontos nesta noite de estreia da Copa, o Sete e mais seis equipes mandantes, ou seja, times piores ranqueados que seus adversários, avançaram. Fosse no ano passado, o clube douradense precisaria jogar o duelo de volta no Piauí e a chance de passar de fase diminuiria.

O Sete agora encara o Sport, novamente em jogo único, com mando de campo a ser sorteado. Independente do local, a pressão recai sobre os recifenses, obrigados a provar porque estão na Série A.

No próximo domingo (12), o Sete volta a campo para tentar outro feito inédito para times do Estado: resistir ao primeiro confronto pela Copa Verde. Depois de beliscar um empate em 1 a 1 no Douradão, o Ceilândia-DF que se cuide no Estádio Abadião. O pequeno sul-mato-grossense rompedor de escritas está louquinho para aprontar novamente.

Quando MS sobreviveu a primeira fase da Copa do Brasil

Sete de Dourados – 2017
Naviraiense – 2013
Misto – 2009
Cene – 2006
Cene – 2004
Comercial – 1994
Operário – 1990

* Em 1996, o Operário começou a Copa do Brasil já na segunda fase

OBS: o Retranca está de endereço novo; mais curto e mais fácil.
Agora é www.retranca.blog. Obrigado pela leitura!

Sopa de cautela

Comercial e Operário voltam à campo neste fim de semana pela segunda rodada do “Sul-mato-grossensezão”. Não voltam sozinhos. Depois da boa estreia das duas principais equipes de Campo Grande, seus torcedores automedicaram-se com boas doses de “Empolgol”. O efeito colateral do xarope também vai ao gramado.

empolgolO Colorado visita a Serc neste sábado (4), às 16h, no Morenão. Isso mesmo. O time de Chapadão do Sul será mandante do duelo em Campo Grande porque ainda não conseguiu a liberação de seu estádio. Melhor para o Comercial, que agora só pega a estrada pela primeira fase do Estadual para fechar o returno diante do Costa Rica, dia 26 de março.

Noves fora a confusão, o time do técnico Márcio Bittencourt fez corar o mais pessimista dos comercialinos no debute contra o Novo. Não pelo placar, um corriqueiro 2 a 1, mas pela atuação, em especial no primeiro tempo.

O trio ofensivo – Danielzinho, Rodrigo Ost e Roger – mostrou um entrosamento precoce, com velocidade pelos lados do campo e boas tabelas. Glauber tomou conta da articulação e o lateral-direito Cafu provou que o passar dos anos o deixou mais sóbrio quando ataca.

Mas calma lá. O Novo não soube fazer frente ao ímpeto vermelho. O agora alviverde nada mais foi do que um amontoado de jogadores correndo atrás da bola. A saída repentina do técnico Mauro Marino desestabilizou o grupo. O banco de reservas no domingo passado era uma micareta de opiniões e o interino Gilberto dos Santos parecia se perguntar onde foi que amarrara seu jegue.

Mesmo superior, o Comercial cansou no segundo tempo e, não fosse a inércia do Novo e a incompetência dos que finalizaram nas poucas chances que o time teve, o retorno colorado ao Morenão seria menos glorioso. O sistema defensivo comercialino teve atuação insegura, com falhas de posicionamento e bolas nas costas dos laterais. É aí que o perigo faz morada.

Tomar quatro vezes ao dia

As doses de Empolgol foram ainda maiores entre a torcida do Operário, que encontra o Novo neste domingo (5), às 16h, no Morenão. Também pudera. Os comandados de Celso Rodrigues golearam por 4 a 0 os pupilos de Robert, técnico do União/ABC. Houve alvinegro projetando a final do campeonato depois dos golaços de Wilson e Rodrigo Grahl.

Exagero puro. A contar pelo que apresentou contra o Galo, o União/ABC entra forte na briga para voltar à Série B Estadual. O plantel do inexperiente Robert é jovem demais, limitado tecnicamente e com opções escassas.

O Operário, claro, teve muitos méritos. Grahl jogou os 90 minutos e liderou a equipe na cancha. Eduardo Arroz distribuiu bem o jogo e deu até passe para gol. Agnaldo apareceu bem na meia-direita e anotou dois gols com muita frieza. Igor Vilela movimentou-se por todo o campo e, com uma pitada a mais de objetividade, deve deslanchar.

Apesar do placar elástico, o Galo também demonstrou seus defeitos. A saída de bola da defesa para o ataque nem sempre fluía com naturalidade. E tome ligação direta e lançamentos saindo dos pés dos zagueiros. O bom meio-campo, com Eduardo Arroz, Agnaldo e Leandro Diniz, precisa de mais tempo para encaixar.

Bazílio Amaral chega para assumir o Novo e a equipe pode (e deve) mostrar um pouco mais de confiança e organização em campo. Apesar da estreia desanimadora, o grupo é capaz de dar mais trabalho. E a caminhada (re)começa justamente contra o Operário.

Contra os efeitos colaterais do Empolgol, nada melhor que uma sopa de cautela. É bom que Colorado e Galo se previnam para evitar medicamentos mais agressivos num futuro próximo.