Ao amigo de estrada

Valdenir Rezende, repórter fotográfico e jornalista (Foto: João Carlos Castro)

Era uma dessas noites amenas de Ponta Porã. Estávamos hospedados num hotel barato a duas quadras da Linha Internacional. Nosso combinado com o Erick, então motorista do Correio do Estado, era nos encontrar no saguão e caçar alguma coisa pra jantar por ali perto. A demora me fez subir os três lances de escada e bater à porta do quarto. Valdenir atende com aquela cara amassada de sono, só de cueca. Ainda eram umas 20h. A cena me faz rir, e ele ri de volta. Diz que não vai, que já estava com sono.

Esse era Valdenir Rezende. Naquela noite, Erick e eu comemos pizza e falamos do Valdenir, de como ele era um cara humilde, de coração imenso, de amizade sincera. Lembro de dizer o quanto eu o admirava, o quanto ele me ajudava a crescer como jornalista e como pessoa.

Aquela foi minha última viagem pelo jornal. Foram incontáveis reportagens pelo interior, quase sempre com o Valdenir como parceiro de estrada. Maracaju, Dourados, Ponta Porã, Coxim, São Gabriel do Oeste, Aparecida do Taboado e por aí vai. O convívio fez surgir apelidos, piadas e histórias de contar pros netos.

Quando me despedi do Correio, chamei os mais próximos pra um churrasco em casa. O Álvaro, filho do Valdenir e hoje um amigo, me disse nesse dia que seu pai gostava muito de mim. Fiquei bobo de feliz.

A covid-19 deu uma rasteira no destino e Valdenir se despediu da gente neste domingo. Me vi tendo de noticiar sua morte. O jornalismo tem dessas coisas. O texto saiu travado, seco. Não fez jus à pessoa iluminada e inspiradora que ele foi.

Valdenir deixa um vácuo descomunal na nossa profissão. O olhar atento, apurado, sempre à frente, coisa que a gente reconhece só nos mestres. Deixa também um vazio angustiante nas pessoas que dividiram com ele sua vivência. Ao menos ficam os ensinamentos e as memórias, todas elas boas.

Ah, e Valdenir não foi no meu churrasco de despedida do Correio. Não precisei nem perguntar porque. Afinal, estava marcado pra umas 20h.

Valor da dívida de Operário e Comercial pagaria reforma geral do Morenão

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Federação e UFMS pagaram obras para regularizar Morenão este ano (Foto: Edemir Rodrigues/Governo de MS)

* Pra ler ouvindo “Dívida”, do Ultramen.

Às vésperas de estrear na edição de 2020 do Campeonato Sul-mato-grossense, Operário e Comercial lideram outra competição – e com folga. Na tabela do “nome sujo”, a dupla de Campo Grande soma dívida de R$ 4,1 milhões com a União.

O valor pagaria a reforma geral do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, orçada em aproximadamente R$ 4 milhões pelo governo do Estado.

A administração estadual promete iniciar a obra após o campeonato deste ano. Os recursos sairão do Fundo Estadual de Defesa do Consumidor, para onde vão as multas aplicadas pelo Procon-MS.

Galo e Colorado mandam seus jogos em casa no Morenão, mas quem custeou os serviços de readequação para manter o local de portões abertos este ano foram FFMS (Federação de Futebol do Estado) e UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). A primeira injetou R$ 120 mil; a segunda, cerca de R$ 300 mil.

Desfalque – Conforme consulta à lista de devedores inscritos em dívida ativa da União, o Operário tem o maior débito entre os clubes sul-mato-grossenses que disputam o torneio de futebol este ano. O time alvinegro deve R$ 3 milhões.

A principal fatia corresponde a débitos tributários – R$ 2,7 milhões. Outros R$ 277,7 mil em dívidas previdenciárias e R$ 5,6 mil em multas trabalhistas compõem o restante do desfalque operariano com a União.

O Comercial totaliza débito de R$ 1,1 milhão, ainda segundo consulta à relação de devedores.

Ao contrário do arquirrival, o maior problema do clube vermelho é com o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), ao qual deixou de repassar R$ 752,1 mil.

A equipe ainda tem R$ 365,5 mil em dívidas previdenciárias; R$ 16,1 mil em multas trabalhistas; e R$ 5,7 mil em débitos tributários.

Uma vez inscrito na dívida ativa, um clube pode ser acionado judicialmente e forçado a regularizar o calote. O processo é capaz de incluir penhora e expropriação de bens.

Resposta – Presidente do Comercial, Valter Mangini defende que o grosso da dívida de R$ 1,1 milhão remete a anos anteriores a 2010.

O mandatário avalia que o valor “não é muito alto para um clube”. Segundo ele, a venda de um jovem jogador revelado no Colorado soluciona o problema.

Mangini ainda disse que “não é o momento de falar em dívida”, pois o time está focado na estreia pelo Estadual, neste sábado (1). O jogo é às 15h, no Morenão, diante do Águia Negra.

O presidente do Operário, Estevão Petrallás, foi contatado, estava ocupado e prometeu retornar, mas não o fez até esta publicação.

O Galo debuta neste domingo (2), também no estádio universitário, a partir das 15h, contra a Pontaporanense.

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Operário e Comercial são únicos da Capital no Estadual 2020 (Foto: Fundesporte)

Interior – Entre os representantes do interior, maioria no campeonato, o débito mais significativo com a União pertence ao Corumbaense, com R$ 47,6 mil – R$ 43,4 mil previdenciário e R$ 4,1 mil tributário.

Atual campeão, o Águia Negra empilha desfalque de R$ 21,3 mil, dos quais R$ 17,4 mil em dívidas tributárias e R$ 3,9 mil previdenciárias.

De volta à Série A, o Maracaju totaliza R$ 4 mil em débitos previdenciários.

Conforme busca na lista de inscritos na dívida ativa, Aquidauanense, Cena, Costa Rica, Pontaporanense e Serc têm situação regular perante a União.

Da desconfiança à superação: Comercial só encontra seu limite nas semifinais

Janeiro de 2019. De olho no elenco e no futebol apresentado nas primeiras rodadas, o mais óbvio era palpitar por uma eliminação do Comercial ainda nas quartas. Houve quem apostasse na queda para a Série B.

Como se já não fosse suficiente a desconfiança sobre o potencial da equipe, os problemas extracampo infestaram o time vermelho durante a competição. Salários atrasados e até dificuldades com local para treinar.

Abril de 2019. Colorado só para na semifinal do Campeonato Estadual. Deixa o Corumbaense pelo caminho e cai diante da “cascuda” equipe do Aquidauanense.

Aquele pé atrás da torcida em relação ao Comercial e todos os percalços enfrentados pelo grupo fora das quatro linhas serviram de combustível para os atletas.

Em meio a olhares hesitantes e caos administrativo, restou ao grupo comandado por Mário Tilico honrar a camisa encarnada. Em suas entrevistas, o professor sempre buscou exaltar a grandeza do Colorado e sua história vencedora em Mato Grosso do Sul.

O discurso não deve ser diferente nos vestiários e foi assimilado pelos jogadores, que jogaram sempre no limite do que poderiam render.

Mas motivação e superação não valeriam de nada em um time completamente desorganizado em campo. Há também um pouco de lógica na campanha de semifinalista do Comercial.

Para começar, o torcedor mais atento sabe a escalação colorada. Se não inteira, ao menos conhece a espinha dorsal da equipe. Mérito de Mário Tilico, que apostou na repetição dos titulares para solidificar um time.

Rodolfo, Juninho Pavi, Gilson Lins, Felipe Azevedo, França, Hyago… O Comercial tinha uma espinha dorsal. Estes jogadores só deixaram a equipe por lesão ou rara opção técnica de Tilico em algumas circunstâncias das partidas.

Com um grupo limitado e enxuto, o Comercial oscilou bastante. Após a derrota para o Operário no clássico, chegaram os reforços que a equipe precisava para se equilibrar.

Um trio de novidades merece destaque. O meio-campista Julio Cesar tomou a posição de titular de Danilo, até então principal destaque do Colorado.

Sem Danilo, Tilico perdeu chegada, mas ganhou o ritmista – como Tite gosta de dizer. Julio Cesar não aparece de surpresa para finalizar, mas prende a bola ou acelera quando necessário, sempre com muita lucidez e qualidade no passe.

Já o armador Lucas Kattah preencheu uma lacuna no elenco do clube vermelho. Pela camisa 10 já haviam passado Paulo Roberto e Matheus Gabriel – os dois sem sucesso.

Kattah não é nenhum craque. Joga simples, mas se movimenta bastante para receber a bola dos volantes e acionar o ataque. Era a peça que faltava para conectar os contra-ataques velozes.

Na frente, o atacante Gilmar supriu a principal carência no Comercial. A saída de Léo Mineiro no decorrer do campeonato e o baixo rendimento de nomes como Fabiano e Lucas Dronov foram esquecidos com a vinda do camisa 9.

Grandalhão, Gilmar se vira para segurar a bola no campo ofensivo e compensa a técnica limitada com dedicação. Mesmo depois de chegar na metade do Estadual, o atacante fecha a campanha como artilheiro do Comercial, com cinco gols.

Por último, o “fator Rodolfo” foi o fiel da balança (sem trocadilhos com o peso do jogador). O goleiro colorado, campeão em 2010 com a camisa encarnada, acumulou atuações muito acima da média do Estadual deste ano.

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Goleiro Rodolfo durante duelo de volta da semifinal (Foto: Franz Mendes)

O melhor jogo de Rodolfo foi diante do Águia Negra, na primeira fase, quando tornou concretas defesas bastante improváveis. Mas o camisa 1 também foi decisivo nos confrontos de mata-mata.

Contra o Corumbaense, operou um milagre ao defender cabeçada de Romarinho no Morenão, em uma bola que, se passa, decretaria a eliminação do Comercial.

Em Aquidauana, fechou o gol no segundo tempo do confronto de ida com o Azulão e garantiu o empate para o time de Campo Grande.

O Comercial apostou numa receita simples para o Estadual 2019. Reforçou o elenco com precisão quando diagnosticou carências. Reconheceu a diferença técnica contra equipes melhores, jogou no limite e contou com um goleiro inspirado para obter vitórias importantes.

Se a diretoria não honrou sua obrigação com o grupo, o grupo honrou a camisa nove vezes campeã do Estado, deixou tudo em campo e orgulhou seu torcedor.

Apostas, improvisos, mudanças e até Palmeiras: a eliminação do Operário

A cortina de fumaça criada pelos resultados e pela liderança obtida ao fim da primeira fase escondeu o desempenho fraco do Operário durante praticamente todos os jogos do Campeonato Estadual.

Quem olhou apenas para a tabela após 11 rodadas esperava um Galo novamente candidato ao título. Aquele que se atentou à performance do time em campo via sinais de uma queda precoce.

A eliminação do Operário nas quartas de final, após derrota e empate com o Aquidauanense, tem muito a ver com outra queda.

Na goleada para o Botafogo-PB, que tirou o Galo da Copa do Brasil ainda na primeira fase, algumas das convicções do técnico Arilson Costa foram escancaradas. A começar pela escalação.

Miracema, o homem de confiança

O atacante Thiago Miracema tinha a plena confiança do treinador até a partida pela competição nacional. Uma cotovelada flagrada pelo árbitro e punida com expulsão ainda no primeiro tempo poderia destruir todo esse crédito.

Não destruiu. Arilson bancou o jogador. Miracema foi poupado do jogo seguinte à eliminação, uma vitória nada convincente sobre o Novo, e voltou ao time titular em cinco dos últimos seis jogos do Galo na primeira fase. O atacante ficou de fora somente na 11ª rodada, contra o ABC.

Thiago Miracema retornou para a equipe titular nos dois jogos das quartas de final. Na volta, quando o Operário precisava vencer para avançar e diante do torcedor que tanto protestou contra sua presença no time, foi outra vez expulso na etapa inicial pelo mesmo motivo que o tirou de campo na partida pela Copa do Brasil.

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Thiago Miracema foi bancado por Arilson Costa durante todo o Estadual (Foto: Álvaro Rezende/Correio do Estado)

Eduardo Arroz, o displicente

Outro que também teve papel importante nas duas quedas do Galo foi o volante Eduardo Arroz. E aqui podemos questionar seu retorno ao Operário, visto que ele foi um dos símbolos de uma outra eliminação, em 2017, nas semifinais do Estadual, para o Corumbaense. A postura “banana” da equipe naquela partida ficou marcada pela torcida.

Arroz teve atuação lamentável diante do Botafogo-PB. Os meio-campistas do Belo contavam com marcação frouxa e espaço de sobra para criar e se movimentar.

O volante seguiu como titular até sofrer uma lesão. Ficou de fora por seis jogos. Voltou a ser relacionado no jogo de volta das quartas de final e entrou no segundo tempo.

O lance que origina o gol do Aquidauanense sai de um erro de Eduardo Arroz. Ele tenta um lançamento, cai e pede falta.

Arroz fazia a lateral-direita nesse momento do jogo. Após o erro, ele não volta para a defesa. Fica reclamando falta com assistente e quarto árbitro. Baiano recebe a bola no espaço que o volante deveria ocupar, chuta e marca.

Arilson Costa, o mau apostador

A intenção aqui não é pintar somente Miracema e Arroz como vilões. Há uma explicação para as atuações limitadas e erros dos dois. A justificativa atende pelo nome de Arilson Costa, que teimou em apostar na dupla.

As principais qualidades de Thiago Miracema são velocidade e vigor físico. Miracema se movimenta bem pelos lados do campo, faz pressão na saída de bola e costuma ganhar do adversário na corrida.

Mas o professor se manteve convicto em escalar Thiago Miracema centralizado no ataque. Talvez porque funcionou na estreia, contra o Corumbaense, quando o atacante faz o pivô na área e assiste Fernandinho para o segundo gol da vitória. Depois disso, não funcionou mais.

Arilson declarou em entrevistas anteriores que se espelha em Felipão, que foi seu treinador no Grêmio e no Palmeiras. A admiração pode ajudar a elucidar a forma como o Operário se comportou durante a primeira fase.

Campeão brasileiro em 2018, Felipão tinha Deyverson para brigar pela bola aérea após aquela esticada que vem do campo defensivo.

Arilson tinha Miracema, alvo de inúmeros lançamentos dos zagueiros e laterais. Mas o atacante do Galo só se assemelha ao do Palmeiras no temperamento e não consegue ter o mesmo aproveitamento nas disputas pelo alto.

Deyverson subia, dava aquela casquinha e os atletas de velocidade do Alviverde aproveitavam para definir rapidamente.

Thiago Miracema subia e não ganhava de quase ninguém pelo alto. Não tinha casquinha. Na ânsia de tentar se impor à força, acabava distribuindo cotoveladas.

Jones, atacante de maior porte físico e com características de área, passou praticamente todo o Estadual no banco de reservas. Ele terminou a competição com os mesmos três gols de Miracema.

Matheus Iacovelli também tem um perfil mais “nove” que Miracema. Chegou no meio do campeonato, jogou uma partida e não apareceu mais.

Agora, Eduardo Arroz. Em um campeonato nivelado por baixo, o veterano compensa sua lentidão e falta de força na marcação com bom posicionamento e excelente passe.

Foi equivocada a escolha por Eduardo Arroz para vestir a camisa 5 e fazer a contenção no duelo com o Botafogo-PB, um time que vinha invicto e que é bastante superior tecnicamente em relação ao Galo.

Poderia funcionar se Arroz tivesse a companhia de um volante mais marcador, mas seu companheiro era Alberto, que também é lento e de pouca pegada.

No segundo tempo da goleada paraibana, Gerson é substituído e Eduardo Arroz vira lateral-esquerdo. Arilson improvisaria o volante novamente nesta posição no jogo da volta com o Aquidauanense. Claro que não deu certo.

Arroz ficou um tempo na lateral-esquerda contra o Azulão. Depois inverteu com Da Silva e foi parar na direita. Foi quando errou um lançamento, caiu, esbravejou, não voltou e Baiano aproveitou o espaço deixado por ele para marcar.

O improviso e o troca-troca

Como vemos, Arilson Costa é adepto do improviso. E aqui ele se opõe ao que pensa seu ídolo Felipão, que evita escalar jogador fora de posição.

Ao longo do Campeonato Estadual, vimos também o meio-campista Fernandinho virar atacante pelo lado direito e o zagueiro Bruno Centeno se tornar volante.

Mas o principal erro de Arilson Costa até aqui foram as frenéticas mudanças na escalação titular. Em 14 jogos no ano, o treinador utilizou 14 formações diferentes.

Somadas as alterações entre uma partida e outra, foram 52 modificações. As forçadas por lesão foram minoria.

Se Arilson tentou colocar em prática um rodízio no elenco, falhou ao sequer encontrar um time.

As alterações em série podem ajudar a explicar também as más atuações. Com pouco tempo para treinar, o ideal seria a repetição dos titulares, para assimilação mais rápida de uma proposta de jogo e criar entrosamento.

Em resumo, o elenco do Operário oferece alternativas. Há bons jogadores e opções com diferentes perfis para distintas ideias. Faltou repertório a Arilson Costa, que preferiu se limitar às ligações diretas e jogadas de bola parada.

Como resultado, o Galo volta a ter apenas o Estadual para disputar em 2020. Se manter na Série D do Brasileiro e na Copa do Brasil do ano que vem era o objetivo mais falado pelo gerente de futebol Rodrigo Grahl em entrevistas.

Resta ainda a Série D deste ano, que começa daqui um mês. E a contar pelo que vimos no Estadual, a participação do Operário na competição promete ser curta.

Comercial e Águia dominam a Seleção Retranca da primeira fase do Estadual

Após 66 partidas, a primeira fase do Campeonato Estadual acabou e as quartas de final foram definidas.

O Operário encara a Serc; o Águia Negra encontra o Costa Rica; o Sete de Dourados duela com o Aquidauanense; e o Comercial mede forças com o Corumbaense.

O Retranca aproveita o fim dos pontos corridos para já escalar sua Seleção, baseada apenas nos jogos que o blogueiro viu. Portanto não se espante se não encontrar ninguém da dupla de Dourados, Sete e Operário-DD, ou do Costa Rica.

O único critério adotado para escolher os onze melhores e o treinador foi a observação in loco das seguintes partidas:

Comercial 2 x 0 Serc (1ª rodada);
Operário 2 x 0 Corumbaense (1ª);
União/ABC 1 x 1 Comercial (2ª);
Comercial 1 x 0 Urso (4ª);
Novo 2 x 2 União/ABC (4ª);
Operário 3 x 1 Comercial (5ª);
Comercial 1 x 0 Águia Negra (6ª);
Operário 3 x 0 Serc (6ª);
Operário 1 x 1 Aquidauanense (8ª);
União/ABC 0 x 1 Águia Negra (9ª);
Comercial 1 x 0 Corumbaense (10ª);
União/ABC 1 x 3 Operário (11ª);
Novo 2 x 3 Serc (11ª).

Aqui vão os selecionados:

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Goleiro: Rodolfo (Comercial)
A única escolha fácil. Em uma equipe bastante instável, Rodolfo se sobressaiu e decidiu partidas para o Comercial. Sua atuação na vitória sobre o Águia Negra consistiu na melhor performance individual de um jogador neste Estadual, com pelo menos quatro defesas dificílimas. Teve papel fundamental também nos triunfos sobre Sete e Corumbaense.

Lateral-direito: Gugu (Águia Negra)
Aqui também poderia entrar o interminável Robinho, do Aquidauanense, mas vamos de Gugu para variar um pouco e premiar a regularidade. O ala foi bastante acionado na saída de bola durante as partidas do Águia que acompanhei, quase sempre seguro. Tem bom apoio no ataque e marcou um belo gol na vitória sobre o Operário.

Zagueiro 1: Virgulino (Águia Negra)
Mais um que merece pela regularidade, além de fazer parte da defesa menos vazada do campeonato (ao lado do Comercial), com dez gols sofridos. Lidera o setor defensivo da equipe que melhor jogou futebol nesta primeira fase. Vai bem no jogo aéreo.

Zagueiro 2: Baiano (Aquidauanense)
A coisa foi tão feia na primeira fase que o volante Baiano será improvisado na zaga da Seleção Retranca. Ele jogou nesta posição, inclusive no empate com o Operário, quando  marcou de pênalti. Jogou também com a camisa nove nas costas em algumas oportunidades. É o artilheiro do Aquidauanense no Estadual, com 5 gols.

Lateral-esquerdo: Da Silva (Operário)
Se não tem tu, vai tu mesmo, Da Silva. Lateral-direito de origem, o jogador também atua do outro lado, como em diversas partidas pelo Operário nesta fase. Apóia muito bem, com velocidade, e não compromete na defesa, além de somar experiência ao time. Revezou a posição com Gerson, que não convence como titular.

Volante 1: Danilo (Comercial)
Uma das boas surpresas deste Estadual. O camisa 8 do Comercial tem excelente chegada na frente, visão de jogo, bom passe, deu assistências e já até marcou gol. A conta do pouco tempo de preparação para o campeonato chegou e Danilo se lesionou na reta final. Se recuperado, pode voltar a desequilibrar no mata-mata.

Volante 2: Lucas (União/ABC)
Principal jogador do rebaixado União/ABC, equipe que não soube traduzir em resultados o bom desempenho em praticamente todas as partidas. Jovem, Lucas é bastante intenso durante os 90 minutos. Dinâmico. Busca o jogo, organiza as investidas ofensivas e também distribuiu suas assistências.

Meia 1: França (Comercial)
Outro destaque do Comercial, França está na Seleção Retranca porque desequilibrou em jogos complicados. Marcou o gol do triunfo sobre o Corumbaense e fez a jogada que originou o gol de Vandinho na vitória sobre o Águia Negra. Embora hesite na hora de finalizar o que cria, seja passando, seja chutando, o meia-atacante compensa com explosão, velocidade e drible.

Meia 2: Salomão (Águia Negra)
Com 9 gols no Estadual, Salomão é a cabeça-pensante do Águia Negra – não à toa veste a camisa 10. Como todo o time do técnico Rodrigo Cascca, o atleta se movimenta bastante, cria e encontra espaços, e vai buscar a bola no pé do volante quando o jogo pede. Tem uma canhota precisa.

Atacante 1: Romarinho (Corumbaense)
Romarinha já soma seis gols no torneio e foi um dos responsáveis pelo crescimento do Corumbaense após os tropeços nas primeiras rodadas. O camisa 9 se mexe bastante dentro e fora da área e, por isso, é frequentemente acionado pelos companheiros. Como bom atacante, não se avexa em finalizar quando a bola chega.

Atacante 2: Guilherme (Águia Negra)
Ter Guilherme é meio caminho andado na direção de um ataque efetivo. Artilheiro dos Estaduais de 2014 e 2016, o jogador voltou a se destacar com a camisa do Águia Negra e já balançou as redes 7 vezes. Sabe fazer o papel de centroavante, com bom jogo aéreo ofensivo, e também sai da área para buscar uma tabela.

Treinador: Rodrigo Cascca (Águia Negra)
Como já dito, o Águia Negra foi o time de melhor performance nesta primeira fase. Méritos para Rodrigo Cascca, que soube montar seu time de modo a explorar ao máximo as principais características de cada atleta. De estilo ofensivo, o professor gosta de ver sua equipe controlando as partidas, acoando o adversário com muito volume de jogo.

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Zagueiro Virgulino na cola do meia França (Foto: Jones Mário/retranca.blog)

União/ABC endurece, mas cede pênalti e se torna sétima vítima do Águia Negra

O União/ABC conheceu sua terceira derrota pelo Campeonato Estadual na noite chuvosa desta quarta-feira (27), em um Morenão que recebeu corajosos 46 pagantes.

O algoz da vez foi o Águia Negra, que chegou a sétima vitória em nove jogos e encabeça com folga a tabela de classificação.

O único gol da partida foi anotado aos 19 minutos do segundo tempo, de pênalti, sofrido por Cleiton e convertido por Salomão – agora artilheiro isolado do certame, com 8 gols.

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O jogo não refletiu o abismo de 14 pontos que separam ABC e Águia na tabla. Os comandados do técnico Paulo Mulle chegaram a dominar o cotejo em alguns momentos.

O veloz Gabriel teve a chance de abrir o placar para os campo-grandenses aos 34 minutos do primeiro tempo, em contra-ataque fulminante. O goleiro Filipe se impôs e o atacante perdeu o gol.

O polivalente meio-campista Pedro, que na derrota para o Comercial jogou com a camisa nove, também desperdiçou boa oportunidade para os rio-brilhantenses aos 40 da etapa inicial, depois de limpar a marcação na entrada da área e finalizar colocado para fora da meta de Jeferson.

O resultado premia o estilo de jogo imposto por Rodrigo Cascca no Águia Negra. Com paciência e movimentação, a equipe toma a bola para si e encurrala seu adversário, dentro ou fora de casa.

“É natural pela posição que a gente está e pelo momento dar uma relaxada, mas não pode. A gente fez uma boa partida dentro das possibilidades que a gente teve”, disse Cascca após o duelo.

A maneira de atuar do ABC também agrada, com transição rápida, de pé em pé. Suspenso, o meio-campista Lucas fez falta para ajudar na chegada e acionar os atacantes.

O zagueiro e capitão do ABC, Luiz Henrique, tentou justificar a derrota.

“Acho que a gente se impôs. Fez o nosso futebol. Eu não sei nem explicar o que está acontecendo. O time está jogando bem. Estamos criando as chances, tentando fazer o gol”.

Na próxima rodada, a penúltima da primeira fase, o Águia visita a Serc e o ABC joga fora de casa com o Aquidauanense.

O restante da nona rodada será completa no sábado de Carnaval. Os jogos são os seguintes:

Serc x Sete (15h, Estádio da Serc)
Operário de Dourados x Operário (15h, Chavinha)
Novo x Comercial (15h, Morenão)
Costa Rica x Aquidauanense (16h, Laertão)
Corumbaense x Urso (16h, Arthur Marinho)

CLASSIFICAÇÃO

  Times P SG GP GC V D E J %
1   Águia Negra 22 16 23 7 7 1 1 9 81%
2   Operário 14 6 13 7 4 1 2 7 67%
3   Corumbaense 14 6 13 7 4 2 2 8 58%
4   Sete 13 2 11 9 4 3 1 8 54%
5   Comercial 13 1 8 7 4 3 1 8 54%
6   Costa Rica 13 0 10 10 4 3 1 8 54%
7   Aquidauanense 12 2 12 10 3 2 3 8 50%
8   Serc 9 -3 6 9 2 3 3 8 38%
9   União/ABC 8 -2 7 9 1 3 5 9 30%
10   Urso 7 -1 6 7 1 2 4 7 33%
11   Novo 4 -8 9 17 1 6 1 8 17%
12 Operário-DD 2 -19 6 25 0 6 2 8 8%

A resposta do professor

Arilson Costa, técnico do Operário, procurou o blogueiro aqui depois de ler a postagem anterior, na qual faço minha análise da eliminação do Galo na Copa do Brasil.

Não estava feliz, afinal, disse que ele foi um tanto inocente. Mas não foi desrespeitoso ou grosseiro. Apenas pontuou algumas coisas.

Disse que o time não foi a campo com o mesmo comportamento adotado nos jogos do Campeonato Estadual, ainda que os titulares escolhidos tenham sido os mesmos que vêm jogando o Sul-mato-grossense.

Arilson falou que queria surpreender o Botafogo-PB ao utilizar marcação alta, com o atacante Thiago Miracema fazendo pressão na saída de bola. Segundo ele, o Belo não esperava essa atitude e não havia enfrentado equipes que jogam assim pelo Campeonato Paraibano.

Miracema foi expulso e seu plano foi pro saco.

O professor disse ainda que seu time no segundo tempo, com a entrada de Emerson Santos na vaga de Jean Carlo, defendeu melhor que no primeiro.

Alegou que a opção por Pedro Hulk no lugar de Gerson foi tomada não por desespero, mas porque o lateral-esquerdo precisava ser poupado, pois já tinha sido escalado contrariando recomendação médica.

Hulk, aliás, nutre esperanças no treinador. Arilson Costa acredita que ele pode resolver uma partida com sua força física e chute potente.

Questionado sobre a opção por Eduardo Arroz como primeiro volante, o comandante justificou que ele é titular e vinha jogando o Estadual.

Sobre o centroavante Jones, o professor do Operário garante que ele está machucado e não será sequer relacionado para o duelo com o Novo, neste domingo (17). Duas contraturas musculares.

Arilson disse que Jones só foi para o banco contra o Belo para o caso de o momento do jogo pedir alguém com suas características, mas que entraria no sacrifício.

O técnico reiterou que estudou bastante o Botafogo-PB.

Da minha parte, lamentei não ter tido a oportunidade de questioná-lo sobre o que vi da partida. Estava nas cabines de imprensa, por determinação dos responsáveis pela organização da peleja.

Agradeci pela ligação e nos despedimos. Pouco depois, Arilson viu minha foto no avatar do WhatsApp e me reconheceu dos dias de jogos ou treinos. Tirou sarro e foi gentil novamente.

O dedo do professor na eliminação do Operário da Copa do Brasil

O blogueiro aqui não quer pedir a cabeça de Arilson Costa após a eliminação do Operário da Copa do Brasil, sacramentada na quarta-feira (13), no Morenão, após sacolada de 4 a 1 para o Botafogo-PB.

A queda era esperada. O favoritismo era todo dos paraibanos, que só não subiram para a Série B no ano passado por um capricho do destino.

O time do técnico Evaristo Piza – no Botafogo-PB há nove meses – joga a Série C, sonho de consumo do cambaleante futebol sul-mato-grossense, desde 2014. Um ano antes, o Belo foi campeão da Série D, massacrante realidade do futebol sul-mato-grossense.

O Botafogo-PB brigou para subir ainda em 2016, quando chegou às quartas de final. Se acomodou e quase voltou à última divisão nacional em 2017. Mas caiu em si e novamente lutou pelo acesso no ano passado.

Todos os ventos sopravam à favor do clube nordestino, que, quase ia me esquecendo, está invicto nesta temporada.

Isto posto, o Operário reunia condições de desempenhar um papel melhor. Não o fez porque Arilson foi um tanto inocente.

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Arilson Costa, comandante do Galo, durante treinamento (Foto: Anderson Ramos/Divulgação OFC)

O treinador do Galo já havia adiantado que não mudaria a postura de seu time e apostou nos 11 que vinham jogando o capenga Campeonato Estadual.

A dupla de zaga formada por Rodrigo Arroz e André Paulino é pesada e talvez funcionaria se o Botafogo-PB tivesse um camisa 9 de ofício, postado dentro da área.

Mas Nando não é isso. Tanto que era visto na intermediária, puxando a marcação para a infiltração dos ligeiros Dico, Clayton e Marcus Vinicius.

O temperamental volante Eduardo Arroz teve atuação lamentável, mas não exclusivamente por deficiência técnica. Arroz não é exatamente um jogador de marcação forte, tampouco vigoroso.

Seu companheiro de meio-campo, Alberto, também não tem esse perfil. Combinado com a pouca participação do camisa dez Jean Carlo na recomposição defensiva, sobrava espaço para o organizado Botafogo-PB trocar passes e encontrar brechas no ataque.

O primeiro gol do Belo, que nasce de uma roubada de bola no lado direito ofensivo e termina com a finalização de Dico no flanco esquerdo, é prova da frouxidão defensiva do Galo.

A bola circula por toda a intermediária sem nenhum operariano para oferecer resistência. A zaga está rendida quando Dico desce em velocidade e livre de marcação.

Natan, volante com mais pegada e mais pulmão, entrou só depois do terceiro gol botafoguense, na vaga de Jorginho.

A expulsão do atacante Thiago Miracema, ainda na primeira etapa, não pode ser colocada na conta de Arilson. O camisa nove tem 31 anos. Não é nenhum garoto. Nada justifica sua irresponsabilidade no lance da cotovelada em Rogério.

Mas a opção do técnico por Miracema deve ser questionada. A pressão que o jogador faz na saída de bola adversária, um de seus pontos fortes, só faria sentido se o Galo tivesse condição técnica e coletiva de adiantar sua marcação e controlar as ações do jogo. Funciona no Estadual, nivelado por baixo, mas não contra um time nitidamente superior.

No domingo (10), na vitória por 3 a 0 sobre a Serc, o centroavante Jones sugeriu que poderia ser útil para o duelo pela Copa do Brasil.

Diferente de Miracema, o jogador segura melhor a bola no campo ofensivo e ganha disputas pelo alto, duas qualidades que poderiam desequilibrar à favor do clube campo-grandense, dadas as limitadas chances do Operário vencer jogando de pé em pé.

Mesmo sem um banco de reservas de encher os olhos, Arilson mexeu mal.

Jean Carlo saiu para a entrada de Emerson Santos, talvez pensando na velocidade e no bom “um contra um” do reserva. Mas, com um a menos, Santos precisava se desdobrar na marcação e sequer apareceu nas poucas vezes em que o Galo tinha a bola.

A opção por Pedro Hulk no lugar do lateral-esquerdo Gerson só pode ser entendida sob a ótica do desespero. Eduardo Arroz já vinha mal em sua posição e foi deslocado para o espaço antes ocupado pelo ala.

Ainda fora de forma e sem ritmo de jogo, o folclórico Hulk foi presa fácil para os marcadores do Belo.

A participação dos times de Mato Grosso do Sul na Copa do Brasil costuma ser breve. O ranking de federações da CBF mostra que o futebol do Estado só está na frente de Tocantins, Espírito Santo, Rondônia, Amapá e Roraima.

As campanhas de Naviraiense (2013) e de Comercial (1994!) são raríssimas exceções à regra. O futebol pobre rege Mato Grosso do Sul há pelo menos 25 anos. Para se destacar é preciso deixar a arrogância de lado e assumir o papel que nos cabe, com humildade e cautela.

Mato Grosso do Sul leva a melhor quando encontra a Paraíba pela Copa do Brasil

O Operário encara o Botafogo-PB nesta quarta-feira (13), no Morenão, às 20h30min, pela primeira fase da Copa do Brasil.

O torcedor mais supersticioso tem motivos para se agarrar à história na esperança de ver o Galo classificado.

Nas duas únicas vezes em que encontraram clubes da Paraíba pelo maior mata-mata do País, os times de Mato Grosso do Sul levaram a melhor.

Uma folheada no Almanaque do Futebol Sul-mato-grossense, do colega Hélder Rafael, e encontramos o duelo entre Cene e Treze-PB, pela Copa do Brasil de 2006. Curiosamente, o ano também foi o da última participação do Operário no torneio nacional.

Campeão estadual de 2005, o Cene encarou o time paraibano logo na primeira fase. O jogo de ida foi no Morenão, no dia 22 de fevereiro, e terminou com triunfo do hoje desativado Furacão Amarelo por 2 a 1. Hugo e Edenilson marcaram para a representação cenista. Kiko descontou para o Treze.

O resultado forçou o jogo de volta. O regulamento daquele ano previa que o time visitante só eliminaria o segundo confronto caso vencesse por dois ou mais gols de diferença.

No dia 8 de março, o Cene foi até o Estádio Almeidão, em João Pessoa (PB), e voltou a vencer a equipe nordestina, desta vez por 3 a 1. Os sul-mato-grossenses marcaram com Betinho, Dionei e Kim, enquanto Téo fez para o Treze.

Classificado, o Cene encontrou o Fluminense na segunda fase e foi eliminado. O Tricolor Carioca aplicou 5 a 3 sobre o Furacão Amarelo em pleno Morenão, no dia 22 de março. Jorge Henrique, Dionei e Hugo fizeram os gols cenistas. Marcão (duas vezes), Tuta, Romeu e Petkovic anotaram os tentos do Flu.

Passados três anos, o sorteio da primeira fase da Copa do Brasil 2009 colocou o Campinense-PB no caminho do Misto, de Três Lagoas. E o vice-campeão sul-mato-grossense de 2008 eliminou a agremiação de Campina Grande após dois empates.

O primeiro duelo foi realizado no dia 18 de fevereiro, no Madrugadão, e terminou em 1 a 1. Paredes fez o gol do Carcará, enquanto Fábio Santana deixou o seu pelo Campinense-PB.

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Torcedor do Misto faz a festa no Madrugadão pela Copa do Brasil 2009
(Foto: Reprodução/mistoesporteclube.blogspot.com)

O resultado garantiu o jogo de volta no Estádio Amigão, disputado no dia 4 de março. Novo 1 a 1 no placar, com novo gol de Fábio Santana para os paraibanos. Rodrigo Goiano igualou para o Misto. Nos pênaltis, os três-lagoenses despacharam o Campinense-PB por 3 a 2.

O Misto enfrentaria o Corinthians na fase seguinte. O apelo do rival levou o jogo para o Morenão, no dia 15 de abril. Chicão e André Santos garantiram o placar por 2 a 0 para os paulistas, que seriam campeões daquela edição.

Na tarde do velho e do novo, Comercial quebra invencibilidade do Águia Negra

O Comercial foi encurralado pelo Águia Negra na tarde deste sábado (9), no Morenão, pela sexta rodada do Campeonato Estadual.

Mas, ainda que no sufoco, o Colorado saiu com a vitória por 1 a 0 e acabou com a invencibilidade do líder da competição.

Os 176 torcedores que se arriscaram em prestigiar o jogo no estádio universitário viram uma atuação irreparável do goleiro Rodolfo, velho personagem do futebol sul-mato-grossense.

Campeão estadual com a camisa encarnada em 2010, o arqueiro fez pelo menos quatro grandes defesas para garantir o triunfo.

Quando não intercedeu, Rodolfo contou com o zagueiro André Bahia, que evitou o gol do centroavante Pedro praticamente em cima da linha, aos 8 minutos do segundo tempo, quando o placar ainda era 0 a 0.

Bahia havia entrado no lugar do capitão e volante improvisado na zaga Fernando Prado, que deixou o campo rumo a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Leblon com suspeita de ruptura de ligamentos do joelho direito. A contusão ocorreu em dividida com o atacante Guilherme, nos primeiros minutos da etapa inicial.

A tarde era também do novo. Não do Novo, time da Capital que levou acachapantes 5 a 1 do Aquidauanense no Noroeste, em jogo simultâneo ao disputado no Morenão.

Enquanto Rodolfo segurava tudo na defesa, o novo reforço do Comercial, Vandinho, resolvia no ataque, mesmo que fora de sua posição original.

Contratado com o Estadual em andamento, o lateral-esquerdo vice-campeão com o Novo em 2017 marcou o gol colorado, aos 18 minutos do segundo tempo.

Vandinho, que entrou após o intervalo na vaga do volante Matheus, aproveitou a sobra da dividida entre o comercialino França e o goleiro Filipe para chacoalhar as redes do gol do Auto Cine.

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Vandinho marcou o gol da vitória do Comercial (Foto: Jones Mário/Retranca.blog)

“Cheguei semana passada. Não consegui jogar o Comerário. Hoje foi minha estreia, graças a Deus pude estrear bem”, disse o debutante Vandinho ao fim do jogo.

Ovacionado pelos poucos torcedores nas arquibancadas, Rodolfo também comentou a vitória e elogiou o time adversário.

“Dificilmente a gente vai ver no campeonato uma equipe com um futebol tão belo como o do Águia Negra. Mas o professor nosso [Mário Tilico] está de parabéns. Ele acalmou o time no intervalo e a gente voltou com uma postura diferente”.

Rodolfo ainda aproveitou e fez as contas para a classificação às quartas de final.

“Chegamos a dez pontos. Creio que com mais duas vitórias, ou cinco pontos, a gente já estará no mata-mata”

Já o preparador físico Virgílio Netto, que comandou o Águia Negra do banco de reservas, minimizou a quebra da invencibilidade.

“A derrota existe dentro do futebol. Nosso grupo é experiente e a gente sabia que isso poderia acontecer. Poderia acontecer hoje ou no final”.

O técnico Rodrigo Cascca não dirigiu o Águia no Morenão por causa de compromissos pessoais. A ausência do treinador neste sábado era algo já combinado com a diretoria do clube de Rio Brilhante.

Antes de tudo o que você acabou de ler acontecer, jogadores, arbitragem e torcedores respeitaram o minuto de silêncio em lembrança aos dez garotos da base do Flamengo, mortos na sexta-feira (8) em decorrência de um incêndio no CT Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro.

RODADA

Sábado (9)
Comercial 1 x 0 Águia Negra
Aquidauanense 5 x 1 Novo

Domingo (10)
10h – União/ABC x Corumbaense
16h – Operário x Serc
16h – Urso x Sete
16h – Costa Rica x Operário de Dourados

CLASSIFICAÇÃO

  Times P SG GP GC V D E J %
1   Águia Negra 13 12 17 5 4 1 1 6 72%
2   Aquidauanense 11 4 10 6 3 1 2 6 61%
3   Comercial 10 1 6 5 3 2 1 6 56%
4   Costa Rica 9 -1 6 7 3 2 0 5 60%
5   Serc 7 0 5 5 2 2 1 5 47%
6   Corumbaense 6 2 7 5 2 2 0 4 50%
7   Operário 6 1 5 4 2 1 0 3 67%
8   União/ABC 5 0 4 4 1 1 2 4 42%
9   Urso 5 0 4 4 1 1 2 4 42%
10   Sete 3 -3 2 5 1 2 0 3 33%
11   Novo 1 -6 4 10 0 3 1 4 8%
12   Operário-DD 0 -10 4 14 0 4 0 4 0%

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