ABC tropeça, levanta e busca empate com o Comercial; veja a classificação

comercial x uniao abc - jones mario

Lance de ABC x Comercial no Estádio Morenão (Foto: Retranca.blog)

O lateral-esquerdo Gabriel, 20 anos, era o segundo mais novo do União/ABC em campo. Só perdia para o goleiro Breno, de 19.

A inexperiência fez Gabriel dar um afobado carrinho e derrubar o atacante do Comercial, França, dentro da área. Pênalti marcado e convertido pelo camisa nove Léo Mineiro, aos 29 do primeiro tempo.

Dali pra frente Gabriel era só correria. Queria apagar a bobagem que fez.

A bronca no vestiário do ABC foi ouvida de dentro do gramado do Morenão, entre uma trovoada e outra na noite desta quarta-feira (24). “A imprensa tá aí!”, gritou alguém.

Além da imprensa, 234 torcedores acompanharam a peleja no Morenão. A torcida do ABC se concentrou nas cadeiras, enquanto a colorada ficou nas arquibancadas.

Com velocidade, o jovem time do técnico Paulo Mulle empurrava o Comercial para trás após o intervalo.

Faltava finalização. Os reservas do ABC que aqueciam atrás do gol reclamavam que os titulares queriam entrar com bola e tudo na meta defendida pelo experiente Rodolfo.

Rodolfo que fez cera ainda no primeiro tempo. Aguardava a pressão dos atacantes do ABC para só então agarrar a bola que sobrava.

Mesmo no lado oposto do campo, Everton pareceu ouvir seus companheiros. Recebeu na entrada da área e chutou forte sem hesitar. Rodolfo, desta vez, não agarrou. 1 a 1, aos 36 minutos da etapa final.

Deu tempo ainda do volante Danilo acertar a trave do goleiro Breno, em cobrança de falta, e do atacante França ser expulso após levar o segundo cartão amarelo.

Mas o placar permaneceu o mesmo.

O técnico do Comercial, Mário Tilico, mexeu uma vez só – Matheus Gabriel no lugar de Léo Mineiro – e achou justo o empate. “Está tudo dentro do planejamento”, revelou.

O professor do ABC, Paulo Mulle, lamentou o gol tardio e o vacilo de Gabriel ao cometer o pênalti, mas achou que dava para ter saído do Morenão com a vitória. “Infelizmente foi um ponto só. Nós queríamos três”.

ABC e Comercial jogam rodada dupla no estádio universitário, domingo (27), pela próxima rodada. O primeiro encara o Sete de Dourados, às 10h. O segundo duela com o Aquidauanense, às 16h.

RODADA

Ainda nesta quarta, em Rio Brilhante, o Águia Negra passou por cima do Operário, com sonoros 3 a 0 no Estádio Ninho da Águia. Gols de Pedro, Guilherme e Gugu.

No Laertão, o Costa Rica impôs nova derrota ao Sete de Dourados, por 1 a 0. Gol de Miller.

Mais cedo, no Noroeste, Aquidauanense e Urso empataram em 1 a 1. O Azulão fez com Agnaldo, enquanto Filipe anotou o tento do clube de Mundo Novo.

CLASSIFICAÇÃO

Equipes P J V GP SG
1º Águia Negra  6  2  2 7  7
2º Comercial  4  2  1  3  2
3º Aquidauanense  4  2  1  4  1
4º União/ABC  4  2  1  2  1
4º Urso  4  2  1  2  1
6º Serc 3  2  1  3  0
7º Costa Rica 3 2 1 1  0
8º Operário 3 2 1 2 -1
9º Novo 0 1 0 0 -1
10º Corumbaense 0 1 0 0 -2
11º Operário de Dourados 0 2 0 3 -3
12º Sete 0 2 0 0 -5

Promotor lava as mãos e pendura Morenão na conta do Aleixo

luiz eduardo de almeida - vistoria morenão

Promotor Luiz Eduardo de Almeida e vice-presidente da FFMS Marco Tavares no Morenão
(Foto: Ana Paula Leite/MPE)

O promotor de Justiça Luiz Eduardo de Almeida pareceu ter os dois pés atrás para liberar o Estádio Morenão.

Deu um “ok” aos laudos de engenharia, segurança, prevenção e combate a incêndio e pânico e vigilância sanitária  – entregues pela Federação de Futebol do Estado (FFMS) -, mas quis ver com os próprios olhos as condições da praça esportiva.

Fez ressalvas diante da sujeira encontrada em pontos do estádio durante a vistoria na manhã de quinta-feira (17).

Acabou por liberar o lado coberto do Morenão, não sem antes exigir uma série de novos reparos e adequações nos sistemas estrutural e elétrico, que devem ser corrigidos em até três meses para evitar uma interdição.

Os problemas foram apontados como de “grau médio” pelo engenheiro Eduardo Aleixo, responsável pelo laudo de engenharia que aprovou – com restrições – as condições da praça esportiva.

Mas a prova cabal da hesitação do promotor em autorizar o uso do estádio se concretizou na quarta-feira (16), quando se reuniu com Aleixo e conseguiu um álibi.

Luiz Eduardo de Almeida fazia questão do encontro. Queria a presença do engenheiro na 43ª Promotoria, fosse na quarta, fosse na quinta-feira, como mostram os autos do inquérito aberto para apurar as condições de segurança do torcedor no Morenão.

Aleixo foi até o promotor faltando quinze minutos para o fim do expediente comercial. Se deparou com o relatório de vistoria elaborado pelo Departamento Especial de Apoio às Atividades de Execução (Daex) do MPE. O documento reforçava os problemas estruturais já observados pelo engenheiro e apontava outros.

O profissional foi questionado sobre o risco efetivo de algum incidente no Morenão diante das anomalias de grau médio.

Eduardo Aleixo não se atreveu a contrapor o documento do Daex e ainda garantiu não haver risco algum.

Era o que o promotor queria ouvir, tanto que logo encerrou a reunião.

Luiz Eduardo de Almeida expôs o garantia dada por Aleixo na deliberação em que comunicou a liberação do estádio. Duas vezes.

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Fac-símile: promotor reproduz garantia do engenheiro na deliberação que liberou o Morenão

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Fac-símile: duas vezes

De mãos limpas, o promotor aparenta ter colocado o principal estádio de Campo Grande na conta do engenheiro.

Fato é que ninguém está disposto a segurar a bucha. O risco de olhar para dentro do canhão e ver uma luz flamejante é cada vez maior.