Com expulsão inusitada, ABC manda para os ares a chance de virada sobre o Novo

A árbitro Ronan Machado Lima expulsou Luberto, do União/ABC, quando ainda aguardava a chegada da Polícia Militar ao Morenão, na noite desta quinta-feira (31).

O lateral-direito tinha tempo, pois o efetivo só chegaria ao estádio cinco minutos depois. Mesmo assim, preferiu urinar ali mesmo, no gramado, ao invés de voltar ao vestiário para se aliviar.

O juiz flagrou e, ao contrário de Luberto, não aliviou. Cartão vermelho.

O meio-campista Alex Marques acabou ganhando a chance no time titular de Paulo Mulle. O volante Raylan foi deslocado para ocupar a lateral do displicente Luberto.

O compromisso do ABC com o Novo, pela quarta rodada do Campeonato Estadual, começou com dez minutos de atraso e terminou com 2 a 2 no placar.

A equipe do técnico Piá era encurralada pelos comandados de Mulle. Não conseguia trocar três passes.

O ABC se movimentava freneticamente. O camisa 10, Marcelinho, vinha buscar a bola no campo defensivo.

O camisa 8, Lucas, buscava a pelota, levava para o ataque, aparecia na área, lançava. Incansável e muito participativo.

Sobrava movimentação, mas transbordava ansiedade. O ABC abusava das esticadas.

E foi na bola parada que o Novo surpreendeu. Primeiro aos 39 minutos, com o zagueiro Lucas, que encobriu o goleiro Jeferson após cabeçada na bola alçada na área pelo meio-campista Márcio.

Depois nos acréscimos, com o também zagueiro João Pedro. O Novo cobrou falta rápido e surpreendeu a defesa do ABC, que viu o camisa 4 se jogar na pelota e desviar cruzamento para as redes.

Os jogadores do ABC voltaram determinados em virar o jogo. Os lançamentos equivocados deram lugar às triangulações, quase sempre pelo lado esquerdo do ataque.

Foi por ali que o atacante Luan fez valer a Lei do Ex e diminuiu a desvantagem no marcador, aos 7 minutos da etapa final, invadindo a área e batendo na saída do goleiro Jackson, após passe de Everton.

Dez minutos depois, Lucas colocou a bola na cabeça de Everton, que empatou a partida.

Em seu segundo jogo pelo Estadual, o Novo dava sinais de esgotamento. O mais forte deles foi o pênalti atabalhoado cometido pelo zagueiro Lucas sobre o meio-campista Lucas, já nos minutos finais da peleja.

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Everton desperdiçou pênalti nos últimos minutos de jogo (Foto: retranca.blog)

Mas Everton mandou a cobrança pelos ares, longe da meta de Jackson.

Ao término do jogo, o técnico Paulo Mulle disse que tentou avisar o camisa 9 para mudar o jeito de bater a penalidade.

“Ele treina essa batida sempre em cima, mas tá no fim do jogo e a perna tá pesada. Não pode bater em cima. Essa bola vai subir”. E subiu.

Do lado do Novo, o treinador Piá não perdoou a segunda metade ruim de seus jogadores.

“Nós demos os dois gols e depois, num pênalti infantil, quase perdemos o jogo. Nossa equipe foi dispersa no segundo tempo”.

O empate em 2 a 2 mantém o Novo na zona de rebaixamento do Estadual, enquanto o União é o quinto colocado.

Se não houver nenhuma mudança na tabela – rotina no atual campeonato -, o ABC volta a campo no sábado (2), às 20h10, no Morenão, para receber a Serc pela quinta rodada.

Já o Novo encara o Costa Rica fora de casa, no Laertão, no domingo (3), às 16h.

CLASSIFICAÇÃO

Equipes

P

J

V

GP

SG

1º Águia Negra

 12

 4

 4

15

 13

2º Aquidauanense

 8

 4

 2

 5

 2

3º Comercial

 7

 4

 2

 4

 2

4º Costa Rica

 6

 4

 2

 4

-2

5º União/ABC

 5

 3

 1

 4

 1

6º Urso

 4

 3

 1

 2

 0

7º Serc

4

4

1

4

-1

8º Corumbaense

3

3

1

5

0

9º Operário

3

2

1

2

-1

10º Novo

1

2

0

2

-1

11º Sete

0

2

0

0

-5

12º Operário de Dourados

0

3

0

4

-8

Faltou água e até cadeira na primeira rodada do Campeonato Estadual

Os jogadores de Novo e Urso deixaram o Estádio das Moreninhas sem tomar banho no último domingo (20). Não que os atletas dos times sejam avessos a chuveiro, esponja e sabonete. Faltou água nos vestiários mesmo.

Ao menos foi o que apontou o árbitro Augusto Domingos Borges Ortega na súmula da partida, válida pela primeira rodada do Sul-mato-grossense e que terminou com vitória por 1 a 0 dos visitantes.

O próprio juiz também voltou para casa sem aquela refrescante ducha pós-peleja, pois, segundo ele, o vestiário da arbitragem também não tinha água para banho.

Ortega foi auxiliado por Adriano Ferreira da Silva e Maycon Aparecido Lacerda. O quarto árbitro era Renan Roberto Barbieri Dan Pereira.

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Lance de Novo e Urso nas Moreninhas (Foto: Bruno Leal/TV Sobrinho MS)

Se nas Moreninhas faltou água, no Morenão faltou cadeira. A súmula do jogo entre Comercial e Serc – vencido pelo Colorado por 2 a 0 – traz o relato.

De acordo com o juiz Neuri Antonio Pryzbulinski, “não havia cadeiras e nem bancos em condições de uso para que os árbitros pudessem se acomodar” no vestiário destinado aos sopradores de apito.

Além de Pryzbulinski, os bandeirinhas Leandro dos Santos Ruberdo e Andanclei Neves Barros, bem como o quarto árbitro Rodrigo de Oliveira Lopes precisaram se desdobrar para amarrar as chuteiras antes da partida.

“A” de Equilíbrio

Equilíbrio é a palavra que resume as primeiras três rodadas no Grupo A do “Sul-mato-grossensezão” 2017. Fora o Novo, que, pelo futebol mostrado até aqui, flerta com o primeiro rebaixamento de sua história, ninguém é de ninguém.

Comecemos pelo Comercial. Jogou bola e convenceu na estreia com vitória sobre o Novo; falhou muito e perdeu para Chapadão na rodada seguinte; e neste domingo (12) precisou transpirar bastante para fazer um golzinho no União/ABC, pior defesa do campeonato, e empatar o jogo.

O Operário teve início avassalador, goleando o União/ABC na primeira e passando por cima do Novo na segunda. Na hora de engatar a terceira, engasgou no Laertão e perdeu para o Costa Rica. Banho de água fria no ainda líder Galo.

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Lance de Costa Rica 1 x 0 Operário (Foto: Raul Rodrigues/Operário FC)

Chapadão arrancou um empate em Costa Rica e virou pra cima do Comercial. No momento de embalar, tropeçou no Novo – ainda que fora de casa. Resultado? Perdeu boa chance de encerrar a rodada 3 na liderança do grupo.

A equipe do União/ABC talvez seja a que mais surpreendeu até agora. A sacolada sofrida diante do Operário na estreia acordou a garotada do técnico Robert, que protagonizou uma virada épica sobre Costa Rica na segunda rodada e impôs dificuldade para o Comercial na terceira. Se a prioridade é seguir na “A”, está na meta (por enquanto).

Por fim, Costa Rica mostrou força batendo o melhor time da chave depois de empatar em casa com Chapadão e de sofrer aquela derrota bizarra para o União/ABC. Saiu da lanterna para embolar a tabela de classificação.

A próxima rodada promete definir melhor quem briga pelo que na Chave A.

Operário e Comercial se enfrentam em clássico e é aquela história: jogo bom para instaurar crise ou acalmar os ânimos da exigente torcida comercialina. Bom também para acender o sinal amarelo no Galo ou derrubar um tabu de nove anos sem vencer o rival.

O União/ABC tentará entrar no G-4, mas precisa derrubar a invencibilidade do vice-líder Chapadão. O Novo tentará sair da lanterna, mas precisa vencer seu primeiro jogo fora de Campo Grande, contra o Costa Rica.

Segue o equilíbrio ou a balança pende para algum lado? Aposto na primeira opção, mas devagar com o andor.

PS: No sábado (11), o Sete de Dourados foi eliminado na fase preliminar da Copa Verde depois de sofrer um 3 a 0 do Ceilândia-DF, no jogo de volta, no Distrito Federal. Onde teria chances de ir mais longe, não foi. Vai entender…

Resultados do fim de semana

Sábado (11)
Novo 1 x 1 Chapadão – Grupo A

Domingo (12)
Comercial 1 x 1 União/ABC – Grupo A
Costa Rica 1 x 0 Operário – Grupo A
Corumbaense 1 x 0 Águia Negra – Grupo B
Urso 0 x 1 Ivinhema – Grupo B

Classificação do Sul-mato-grossense 2017

Grupo A P J V GP SG
1º Operário  6  3  2 7  5
2º Chapadão  5  3  1  5  1
3º Comercial  4  3  1  5  0
3º Costa Rica  4  3  1  5  0
5º União/ABC  4  3  1  5  -3
6º Novo  1  3  0  3  -3

 

Grupo B P J V GP SG
1º Corumbaense  6  2  2  3  2
2º Ivinhema  3  2  1  2  0
3º Naviraiense  1  1  0  1  0
3º Sete de Dourados  1  1  0  1  0
5º Águia Negra 0  1  0  0  -1
5º Urso  0  1  0  0  -1

Morenão volta encarnado

Dia chuvoso e cinzento. Nada receptivo para uma reestreia. Mas a camisa encarnada do Comercial e o bom futebol de seus jogadores tratou de dar cor ao retorno do futebol ao Morenão, onde a bola não rolava desde abril de 2014.

Revitalizado, com parte das arquibancadas agora coloridas como a bandeira da Colômbia, o novo Morenão foi hostil ao Novo. Os comandados do interino Gilberto dos Santos pouco fizeram em campo. Caíram fácil na marcação forte, rápidas triangulações pelos lados do campo e investidas agudas do Comercial, arquitetadas pelo técnico Márcio Bittencourt.

Em uma dessas, Cafu lançou Danielzinho – clamorosamente impedido -, que entrou na área, cortou o marcador e passou para Glauber fazer o pivô ao camisa 10, Rodrigo Ost. Com um chute rasteiro, Ost reinaugurou as redes do gol do Auto Cine.

A arbitragem também ignorou quando o zagueiro e capitão comercialino, David, deixou a bola sair pela lateral. Jefferson aproveitou, roubou a redonda e invadiu a área para vencer o goleiro Martins.

Antes do intervalo, Glauber encontrou Danielzinho livre pela ponta esquerda, que cruzou rasteiro para Roger completar e recolocar o Comercial na frente.

Durante o intervalo, Maguila e Luan, respectivamente volante e atacante do Novo, se aqueceram sob a chuva. O prefeito Marquinhos Trad distribuiu sorrisos e apertos de mão nas cadeiras numeradas. No mesmo setor, o presidente do Operário, Estevão Petrallás, e seu diretor de marketing, Orlando Arnoud Junior, papearam. Talvez pensando em baixar o preço dos ingressos, já que as 2.483 pessoas no Morenão pagaram, em média, R$ 15, valor R$ 10 mais barato que a média dos bilhetes para a estreia do Galo.

Depois do intervalo, Maguila lançava Luan, que rabiscava pelo lado esquerdo. Em uma oportunidade, o atacante serviu Jhonatan e viu o colega de vestiário desperdiçar. Em outra, finalizou de primeira e viu Martins crescer e impedir o empate.

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Comercialino Martins teve pouco trabalho sob as traves (Foto: Jones Mário)

A torcida comercialina gostou quando o centroavante Erik, mesmo com uns quilos a mais, entrou no lugar de Rodrigo Ost. Bittencourt gostou de Ost e cumprimentou calorosamente seu camisa 10. Já Ost gostou de jogar solto, flutuando no meio-campo e entrando na área. Segundo ele, foi assim que o professor pediu.

Seja pela chuva, seja porque o Novo tentava jogar, a partida ficou feia e o 2 a 1 permaneceu no placar. Placar, aliás, que segue sem funcionar no novo Morenão.

O Novo tentará se recuperar diante daquele que inspirou sua fundação: o Operário. Quem vier para assumir o comando do time terá bastante trabalho para fazer os 11 em campo se entenderem.

O Comercial viaja até Chapadão do Sul para encarar a Serc e deve voltar de lá com o dobro de pontos que soma hoje.

Quanto ao Morenão, vale lembrar: Comercial e Novo estrearam em 2015 para 476 testemunhas no Olho do Furacão, e, em 2016, diante de 1.121 aficionados nas Moreninhas. Os 2.483 torcedores (debaixo de chuva e em fim de mês) deste domingo deixam claro o quanto o gigante fez falta ao futebol local.