Mato Grosso do Sul leva a melhor quando encontra a Paraíba pela Copa do Brasil

O Operário encara o Botafogo-PB nesta quarta-feira (13), no Morenão, às 20h30min, pela primeira fase da Copa do Brasil.

O torcedor mais supersticioso tem motivos para se agarrar à história na esperança de ver o Galo classificado.

Nas duas únicas vezes em que encontraram clubes da Paraíba pelo maior mata-mata do País, os times de Mato Grosso do Sul levaram a melhor.

Uma folheada no Almanaque do Futebol Sul-mato-grossense, do colega Hélder Rafael, e encontramos o duelo entre Cene e Treze-PB, pela Copa do Brasil de 2006. Curiosamente, o ano também foi o da última participação do Operário no torneio nacional.

Campeão estadual de 2005, o Cene encarou o time paraibano logo na primeira fase. O jogo de ida foi no Morenão, no dia 22 de fevereiro, e terminou com triunfo do hoje desativado Furacão Amarelo por 2 a 1. Hugo e Edenilson marcaram para a representação cenista. Kiko descontou para o Treze.

O resultado forçou o jogo de volta. O regulamento daquele ano previa que o time visitante só eliminaria o segundo confronto caso vencesse por dois ou mais gols de diferença.

No dia 8 de março, o Cene foi até o Estádio Almeidão, em João Pessoa (PB), e voltou a vencer a equipe nordestina, desta vez por 3 a 1. Os sul-mato-grossenses marcaram com Betinho, Dionei e Kim, enquanto Téo fez para o Treze.

Classificado, o Cene encontrou o Fluminense na segunda fase e foi eliminado. O Tricolor Carioca aplicou 5 a 3 sobre o Furacão Amarelo em pleno Morenão, no dia 22 de março. Jorge Henrique, Dionei e Hugo fizeram os gols cenistas. Marcão (duas vezes), Tuta, Romeu e Petkovic anotaram os tentos do Flu.

Passados três anos, o sorteio da primeira fase da Copa do Brasil 2009 colocou o Campinense-PB no caminho do Misto, de Três Lagoas. E o vice-campeão sul-mato-grossense de 2008 eliminou a agremiação de Campina Grande após dois empates.

O primeiro duelo foi realizado no dia 18 de fevereiro, no Madrugadão, e terminou em 1 a 1. Paredes fez o gol do Carcará, enquanto Fábio Santana deixou o seu pelo Campinense-PB.

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Torcedor do Misto faz a festa no Madrugadão pela Copa do Brasil 2009
(Foto: Reprodução/mistoesporteclube.blogspot.com)

O resultado garantiu o jogo de volta no Estádio Amigão, disputado no dia 4 de março. Novo 1 a 1 no placar, com novo gol de Fábio Santana para os paraibanos. Rodrigo Goiano igualou para o Misto. Nos pênaltis, os três-lagoenses despacharam o Campinense-PB por 3 a 2.

O Misto enfrentaria o Corinthians na fase seguinte. O apelo do rival levou o jogo para o Morenão, no dia 15 de abril. Chicão e André Santos garantiram o placar por 2 a 0 para os paulistas, que seriam campeões daquela edição.

“A” de Equilíbrio

Equilíbrio é a palavra que resume as primeiras três rodadas no Grupo A do “Sul-mato-grossensezão” 2017. Fora o Novo, que, pelo futebol mostrado até aqui, flerta com o primeiro rebaixamento de sua história, ninguém é de ninguém.

Comecemos pelo Comercial. Jogou bola e convenceu na estreia com vitória sobre o Novo; falhou muito e perdeu para Chapadão na rodada seguinte; e neste domingo (12) precisou transpirar bastante para fazer um golzinho no União/ABC, pior defesa do campeonato, e empatar o jogo.

O Operário teve início avassalador, goleando o União/ABC na primeira e passando por cima do Novo na segunda. Na hora de engatar a terceira, engasgou no Laertão e perdeu para o Costa Rica. Banho de água fria no ainda líder Galo.

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Lance de Costa Rica 1 x 0 Operário (Foto: Raul Rodrigues/Operário FC)

Chapadão arrancou um empate em Costa Rica e virou pra cima do Comercial. No momento de embalar, tropeçou no Novo – ainda que fora de casa. Resultado? Perdeu boa chance de encerrar a rodada 3 na liderança do grupo.

A equipe do União/ABC talvez seja a que mais surpreendeu até agora. A sacolada sofrida diante do Operário na estreia acordou a garotada do técnico Robert, que protagonizou uma virada épica sobre Costa Rica na segunda rodada e impôs dificuldade para o Comercial na terceira. Se a prioridade é seguir na “A”, está na meta (por enquanto).

Por fim, Costa Rica mostrou força batendo o melhor time da chave depois de empatar em casa com Chapadão e de sofrer aquela derrota bizarra para o União/ABC. Saiu da lanterna para embolar a tabela de classificação.

A próxima rodada promete definir melhor quem briga pelo que na Chave A.

Operário e Comercial se enfrentam em clássico e é aquela história: jogo bom para instaurar crise ou acalmar os ânimos da exigente torcida comercialina. Bom também para acender o sinal amarelo no Galo ou derrubar um tabu de nove anos sem vencer o rival.

O União/ABC tentará entrar no G-4, mas precisa derrubar a invencibilidade do vice-líder Chapadão. O Novo tentará sair da lanterna, mas precisa vencer seu primeiro jogo fora de Campo Grande, contra o Costa Rica.

Segue o equilíbrio ou a balança pende para algum lado? Aposto na primeira opção, mas devagar com o andor.

PS: No sábado (11), o Sete de Dourados foi eliminado na fase preliminar da Copa Verde depois de sofrer um 3 a 0 do Ceilândia-DF, no jogo de volta, no Distrito Federal. Onde teria chances de ir mais longe, não foi. Vai entender…

Resultados do fim de semana

Sábado (11)
Novo 1 x 1 Chapadão – Grupo A

Domingo (12)
Comercial 1 x 1 União/ABC – Grupo A
Costa Rica 1 x 0 Operário – Grupo A
Corumbaense 1 x 0 Águia Negra – Grupo B
Urso 0 x 1 Ivinhema – Grupo B

Classificação do Sul-mato-grossense 2017

Grupo A P J V GP SG
1º Operário  6  3  2 7  5
2º Chapadão  5  3  1  5  1
3º Comercial  4  3  1  5  0
3º Costa Rica  4  3  1  5  0
5º União/ABC  4  3  1  5  -3
6º Novo  1  3  0  3  -3

 

Grupo B P J V GP SG
1º Corumbaense  6  2  2  3  2
2º Ivinhema  3  2  1  2  0
3º Naviraiense  1  1  0  1  0
3º Sete de Dourados  1  1  0  1  0
5º Águia Negra 0  1  0  0  -1
5º Urso  0  1  0  0  -1

Pintando o Sete

Não existe time grande em Mato Grosso do Sul. Não mais. Existem times com tradição, quase sempre traduzida em títulos, e times em busca dos feitos que construirão sua história. O Sete de Setembro, de Dourados, se encaixa neste segundo perfil, mas ousa rasurar a linha que o separa do primeiro.

Em 2016, ano de seu primeiro título estadual, o Sete se tornou o primeiro time sul-mato-grossense a avançar para a segunda fase do Campeonato Brasileiro Série D – após oito edições do torneio. Caiu no estágio seguinte, diante do Fluminense de Feira-BA.

Ontem, quarta-feira (8), quiseram os deuses do futebol que, em sua primeira participação, o SETE protagonizasse a SÉTIMA classificação de um sul-mato-grossense a segunda fase da Copa do Brasil – em sua 29ª edição. Quiseram os deuses, mas quis também o zagueiro Juan, autor do gol da vitória pelo placar mínimo sobre o River-PI, diante de 2,5 mil torcedores no Douradão.

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Zagueiro Juan, autor do gol sobre o River-PI (Foto: Gazeta MS)

Em 17 confrontos nesta noite de estreia da Copa, o Sete e mais seis equipes mandantes, ou seja, times piores ranqueados que seus adversários, avançaram. Fosse no ano passado, o clube douradense precisaria jogar o duelo de volta no Piauí e a chance de passar de fase diminuiria.

O Sete agora encara o Sport, novamente em jogo único, com mando de campo a ser sorteado. Independente do local, a pressão recai sobre os recifenses, obrigados a provar porque estão na Série A.

No próximo domingo (12), o Sete volta a campo para tentar outro feito inédito para times do Estado: resistir ao primeiro confronto pela Copa Verde. Depois de beliscar um empate em 1 a 1 no Douradão, o Ceilândia-DF que se cuide no Estádio Abadião. O pequeno sul-mato-grossense rompedor de escritas está louquinho para aprontar novamente.

Quando MS sobreviveu a primeira fase da Copa do Brasil

Sete de Dourados – 2017
Naviraiense – 2013
Misto – 2009
Cene – 2006
Cene – 2004
Comercial – 1994
Operário – 1990

* Em 1996, o Operário começou a Copa do Brasil já na segunda fase

OBS: o Retranca está de endereço novo; mais curto e mais fácil.
Agora é www.retranca.blog. Obrigado pela leitura!