A resposta do professor

Arilson Costa, técnico do Operário, procurou o blogueiro aqui depois de ler a postagem anterior, na qual faço minha análise da eliminação do Galo na Copa do Brasil.

Não estava feliz, afinal, disse que ele foi um tanto inocente. Mas não foi desrespeitoso ou grosseiro. Apenas pontuou algumas coisas.

Disse que o time não foi a campo com o mesmo comportamento adotado nos jogos do Campeonato Estadual, ainda que os titulares escolhidos tenham sido os mesmos que vêm jogando o Sul-mato-grossense.

Arilson falou que queria surpreender o Botafogo-PB ao utilizar marcação alta, com o atacante Thiago Miracema fazendo pressão na saída de bola. Segundo ele, o Belo não esperava essa atitude e não havia enfrentado equipes que jogam assim pelo Campeonato Paraibano.

Miracema foi expulso e seu plano foi pro saco.

O professor disse ainda que seu time no segundo tempo, com a entrada de Emerson Santos na vaga de Jean Carlo, defendeu melhor que no primeiro.

Alegou que a opção por Pedro Hulk no lugar de Gerson foi tomada não por desespero, mas porque o lateral-esquerdo precisava ser poupado, pois já tinha sido escalado contrariando recomendação médica.

Hulk, aliás, nutre esperanças no treinador. Arilson Costa acredita que ele pode resolver uma partida com sua força física e chute potente.

Questionado sobre a opção por Eduardo Arroz como primeiro volante, o comandante justificou que ele é titular e vinha jogando o Estadual.

Sobre o centroavante Jones, o professor do Operário garante que ele está machucado e não será sequer relacionado para o duelo com o Novo, neste domingo (17). Duas contraturas musculares.

Arilson disse que Jones só foi para o banco contra o Belo para o caso de o momento do jogo pedir alguém com suas características, mas que entraria no sacrifício.

O técnico reiterou que estudou bastante o Botafogo-PB.

Da minha parte, lamentei não ter tido a oportunidade de questioná-lo sobre o que vi da partida. Estava nas cabines de imprensa, por determinação dos responsáveis pela organização da peleja.

Agradeci pela ligação e nos despedimos. Pouco depois, Arilson viu minha foto no avatar do WhatsApp e me reconheceu dos dias de jogos ou treinos. Tirou sarro e foi gentil novamente.

O dedo do professor na eliminação do Operário da Copa do Brasil

O blogueiro aqui não quer pedir a cabeça de Arilson Costa após a eliminação do Operário da Copa do Brasil, sacramentada na quarta-feira (13), no Morenão, após sacolada de 4 a 1 para o Botafogo-PB.

A queda era esperada. O favoritismo era todo dos paraibanos, que só não subiram para a Série B no ano passado por um capricho do destino.

O time do técnico Evaristo Piza – no Botafogo-PB há nove meses – joga a Série C, sonho de consumo do cambaleante futebol sul-mato-grossense, desde 2014. Um ano antes, o Belo foi campeão da Série D, massacrante realidade do futebol sul-mato-grossense.

O Botafogo-PB brigou para subir ainda em 2016, quando chegou às quartas de final. Se acomodou e quase voltou à última divisão nacional em 2017. Mas caiu em si e novamente lutou pelo acesso no ano passado.

Todos os ventos sopravam à favor do clube nordestino, que, quase ia me esquecendo, está invicto nesta temporada.

Isto posto, o Operário reunia condições de desempenhar um papel melhor. Não o fez porque Arilson foi um tanto inocente.

Arilson Costa - anderson ramos divulgação ofc

Arilson Costa, comandante do Galo, durante treinamento (Foto: Anderson Ramos/Divulgação OFC)

O treinador do Galo já havia adiantado que não mudaria a postura de seu time e apostou nos 11 que vinham jogando o capenga Campeonato Estadual.

A dupla de zaga formada por Rodrigo Arroz e André Paulino é pesada e talvez funcionaria se o Botafogo-PB tivesse um camisa 9 de ofício, postado dentro da área.

Mas Nando não é isso. Tanto que era visto na intermediária, puxando a marcação para a infiltração dos ligeiros Dico, Clayton e Marcus Vinicius.

O temperamental volante Eduardo Arroz teve atuação lamentável, mas não exclusivamente por deficiência técnica. Arroz não é exatamente um jogador de marcação forte, tampouco vigoroso.

Seu companheiro de meio-campo, Alberto, também não tem esse perfil. Combinado com a pouca participação do camisa dez Jean Carlo na recomposição defensiva, sobrava espaço para o organizado Botafogo-PB trocar passes e encontrar brechas no ataque.

O primeiro gol do Belo, que nasce de uma roubada de bola no lado direito ofensivo e termina com a finalização de Dico no flanco esquerdo, é prova da frouxidão defensiva do Galo.

A bola circula por toda a intermediária sem nenhum operariano para oferecer resistência. A zaga está rendida quando Dico desce em velocidade e livre de marcação.

Natan, volante com mais pegada e mais pulmão, entrou só depois do terceiro gol botafoguense, na vaga de Jorginho.

A expulsão do atacante Thiago Miracema, ainda na primeira etapa, não pode ser colocada na conta de Arilson. O camisa nove tem 31 anos. Não é nenhum garoto. Nada justifica sua irresponsabilidade no lance da cotovelada em Rogério.

Mas a opção do técnico por Miracema deve ser questionada. A pressão que o jogador faz na saída de bola adversária, um de seus pontos fortes, só faria sentido se o Galo tivesse condição técnica e coletiva de adiantar sua marcação e controlar as ações do jogo. Funciona no Estadual, nivelado por baixo, mas não contra um time nitidamente superior.

No domingo (10), na vitória por 3 a 0 sobre a Serc, o centroavante Jones sugeriu que poderia ser útil para o duelo pela Copa do Brasil.

Diferente de Miracema, o jogador segura melhor a bola no campo ofensivo e ganha disputas pelo alto, duas qualidades que poderiam desequilibrar à favor do clube campo-grandense, dadas as limitadas chances do Operário vencer jogando de pé em pé.

Mesmo sem um banco de reservas de encher os olhos, Arilson mexeu mal.

Jean Carlo saiu para a entrada de Emerson Santos, talvez pensando na velocidade e no bom “um contra um” do reserva. Mas, com um a menos, Santos precisava se desdobrar na marcação e sequer apareceu nas poucas vezes em que o Galo tinha a bola.

A opção por Pedro Hulk no lugar do lateral-esquerdo Gerson só pode ser entendida sob a ótica do desespero. Eduardo Arroz já vinha mal em sua posição e foi deslocado para o espaço antes ocupado pelo ala.

Ainda fora de forma e sem ritmo de jogo, o folclórico Hulk foi presa fácil para os marcadores do Belo.

A participação dos times de Mato Grosso do Sul na Copa do Brasil costuma ser breve. O ranking de federações da CBF mostra que o futebol do Estado só está na frente de Tocantins, Espírito Santo, Rondônia, Amapá e Roraima.

As campanhas de Naviraiense (2013) e de Comercial (1994!) são raríssimas exceções à regra. O futebol pobre rege Mato Grosso do Sul há pelo menos 25 anos. Para se destacar é preciso deixar a arrogância de lado e assumir o papel que nos cabe, com humildade e cautela.

Mato Grosso do Sul leva a melhor quando encontra a Paraíba pela Copa do Brasil

O Operário encara o Botafogo-PB nesta quarta-feira (13), no Morenão, às 20h30min, pela primeira fase da Copa do Brasil.

O torcedor mais supersticioso tem motivos para se agarrar à história na esperança de ver o Galo classificado.

Nas duas únicas vezes em que encontraram clubes da Paraíba pelo maior mata-mata do País, os times de Mato Grosso do Sul levaram a melhor.

Uma folheada no Almanaque do Futebol Sul-mato-grossense, do colega Hélder Rafael, e encontramos o duelo entre Cene e Treze-PB, pela Copa do Brasil de 2006. Curiosamente, o ano também foi o da última participação do Operário no torneio nacional.

Campeão estadual de 2005, o Cene encarou o time paraibano logo na primeira fase. O jogo de ida foi no Morenão, no dia 22 de fevereiro, e terminou com triunfo do hoje desativado Furacão Amarelo por 2 a 1. Hugo e Edenilson marcaram para a representação cenista. Kiko descontou para o Treze.

O resultado forçou o jogo de volta. O regulamento daquele ano previa que o time visitante só eliminaria o segundo confronto caso vencesse por dois ou mais gols de diferença.

No dia 8 de março, o Cene foi até o Estádio Almeidão, em João Pessoa (PB), e voltou a vencer a equipe nordestina, desta vez por 3 a 1. Os sul-mato-grossenses marcaram com Betinho, Dionei e Kim, enquanto Téo fez para o Treze.

Classificado, o Cene encontrou o Fluminense na segunda fase e foi eliminado. O Tricolor Carioca aplicou 5 a 3 sobre o Furacão Amarelo em pleno Morenão, no dia 22 de março. Jorge Henrique, Dionei e Hugo fizeram os gols cenistas. Marcão (duas vezes), Tuta, Romeu e Petkovic anotaram os tentos do Flu.

Passados três anos, o sorteio da primeira fase da Copa do Brasil 2009 colocou o Campinense-PB no caminho do Misto, de Três Lagoas. E o vice-campeão sul-mato-grossense de 2008 eliminou a agremiação de Campina Grande após dois empates.

O primeiro duelo foi realizado no dia 18 de fevereiro, no Madrugadão, e terminou em 1 a 1. Paredes fez o gol do Carcará, enquanto Fábio Santana deixou o seu pelo Campinense-PB.

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Torcedor do Misto faz a festa no Madrugadão pela Copa do Brasil 2009
(Foto: Reprodução/mistoesporteclube.blogspot.com)

O resultado garantiu o jogo de volta no Estádio Amigão, disputado no dia 4 de março. Novo 1 a 1 no placar, com novo gol de Fábio Santana para os paraibanos. Rodrigo Goiano igualou para o Misto. Nos pênaltis, os três-lagoenses despacharam o Campinense-PB por 3 a 2.

O Misto enfrentaria o Corinthians na fase seguinte. O apelo do rival levou o jogo para o Morenão, no dia 15 de abril. Chicão e André Santos garantiram o placar por 2 a 0 para os paulistas, que seriam campeões daquela edição.