A troca, o susto, o choro e a cobrança que deixaram o Comerário mais especial

Fernandinho vestiria a camisa 15 e sentaria no banco de reservas do Operário não fosse pela lesão de Daniel, sentida no aquecimento antes do clássico de domingo (3), com o Comercial.

Mas o santo de Fernandinho é forte. Trocou a 15 pela 11 que vestiria Daniel e, com o novo número nas costas, o paulista de Rio Claro marcou o gol da virada e sofreu o pênalti que culminou no terceiro e último gol do 3 a 1 operariano sobre o maior rival. Mesmo improvisado, foi o melhor jogador da partida.

Fernandinho que havia saído do banco de reservas para ampliar o marcador na estreia, contra o Corumbaense, quando o Carijó ameaçava pressão.

Fernandinho com o qual o Operário já não contava, pois dava como certa sua ida para o futebol boliviano.

Fernandinho precisa ser titular da equipe comandada por Arilson Costa.

Quem não deve ser titular por pelo menos 20 dias é Murilo, do Galo. Não porque perdeu a bola que acabou no fundo das redes de Jota após Hyago roubá-la e passá-la para Renato Maceió marcar.

Pouco depois da falha, o lateral-direito assustou quando caiu no gramado no fim do primeiro tempo.

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Murilo deixou gramado do Morenão de ambulância (Foto: Anderson Ramos/Divulgação OFC)

Murilo desabou no gramado, chacoalhando a perna, após nova dividida com Hyago. Um amigo jornalista chegou a alertar os paramédicos atrás do gol para a possibilidade de convulsão.

As travas da chuteira do jogador comercialino causaram um corte profundo no tornozelo de Murilo, que deixou o campo de ambulância.

O lateral foi atendido dentro do estádio. De curativo na perna, Murilo foi abraçado e consolado pelos companheiros de time ao término do clássico. E chorou.

Enquanto Murilo soluçava, o goleiro colorado Rodolfo esbravejava. Dizia que o Comercial sofreu um gol “infantil”, que um time “juvenil” não levaria.

Rodolfo se referiu ao gol de empate, derivado de uma cobrança de lateral. O goleiro ainda falou que a bola chutada por Jorginho estava em suas mãos, mas o capitão Fernando Prado desviou de cabeça e tirou a pelota de seu alcance.

Cobrou “o máximo de atenção” e avaliou que a equipe comercialina voltou “desligada” para o segundo tempo.

O arqueiro ainda alfinetou o árbitro Augusto Borges Ortega, que marcou pênalti cometido por ele em Fernandinho e convertido por Alberto.

“Tinha um grande árbitro, o Marcos Mateus, que poderia muito bem apitar essa partida”, sugeriu.

De casa ou mesmo do estádio, Marcos Mateus viu e provavelmente gostou do 190º Comerário.

A partida teria todos os elementos de um grande clássico se as arquibancadas do Morenão estivessem um pouco mais cheias. Foram 2,5 mil torcedores, cerca de um quinto da capacidade liberada do estádio.

RESULTADOS DA 5ª RODADA

Aquidauanense 0 x 2 Sete de Dourados
Operário de Dourados 0 x 2 Corumbaense
União/ABC 0 x 1 Serc
Urso 2 x 2 Águia Negra
Costa Rica 2 x 1 Novo

CLASSIFICAÇÃO

  Times P SG GP GC V D E J %
1   Águia Negra 13 13 17 4 4 0 1 5 87%
2   Costa Rica 9 -1 6 7 3 2 0 5 60%
3   Aquidauanense 8 0 5 5 2 1 2 5 53%
4   Comercial 7 0 5 5 2 2 1 5 47%
5   Serc 7 0 5 5 2 2 1 5 47%
6   Corumbaense 6 2 7 5 2 2 0 4 50%
7   Operário 6 1 5 4 2 1 0 3 67%
8   União/ABC 5 0 4 4 1 1 2 4 42%
9   Urso 5 0 4 4 1 1 2 4 42%
10   Sete 3 -3 2 5 1 2 0 3 33%
11   Novo 1 -2 3 5 0 2 1 3 11%
12   Operário-DD 0 -10 4 14 0 4 0 4 0%

Com expulsão inusitada, ABC manda para os ares a chance de virada sobre o Novo

A árbitro Ronan Machado Lima expulsou Luberto, do União/ABC, quando ainda aguardava a chegada da Polícia Militar ao Morenão, na noite desta quinta-feira (31).

O lateral-direito tinha tempo, pois o efetivo só chegaria ao estádio cinco minutos depois. Mesmo assim, preferiu urinar ali mesmo, no gramado, ao invés de voltar ao vestiário para se aliviar.

O juiz flagrou e, ao contrário de Luberto, não aliviou. Cartão vermelho.

O meio-campista Alex Marques acabou ganhando a chance no time titular de Paulo Mulle. O volante Raylan foi deslocado para ocupar a lateral do displicente Luberto.

O compromisso do ABC com o Novo, pela quarta rodada do Campeonato Estadual, começou com dez minutos de atraso e terminou com 2 a 2 no placar.

A equipe do técnico Piá era encurralada pelos comandados de Mulle. Não conseguia trocar três passes.

O ABC se movimentava freneticamente. O camisa 10, Marcelinho, vinha buscar a bola no campo defensivo.

O camisa 8, Lucas, buscava a pelota, levava para o ataque, aparecia na área, lançava. Incansável e muito participativo.

Sobrava movimentação, mas transbordava ansiedade. O ABC abusava das esticadas.

E foi na bola parada que o Novo surpreendeu. Primeiro aos 39 minutos, com o zagueiro Lucas, que encobriu o goleiro Jeferson após cabeçada na bola alçada na área pelo meio-campista Márcio.

Depois nos acréscimos, com o também zagueiro João Pedro. O Novo cobrou falta rápido e surpreendeu a defesa do ABC, que viu o camisa 4 se jogar na pelota e desviar cruzamento para as redes.

Os jogadores do ABC voltaram determinados em virar o jogo. Os lançamentos equivocados deram lugar às triangulações, quase sempre pelo lado esquerdo do ataque.

Foi por ali que o atacante Luan fez valer a Lei do Ex e diminuiu a desvantagem no marcador, aos 7 minutos da etapa final, invadindo a área e batendo na saída do goleiro Jackson, após passe de Everton.

Dez minutos depois, Lucas colocou a bola na cabeça de Everton, que empatou a partida.

Em seu segundo jogo pelo Estadual, o Novo dava sinais de esgotamento. O mais forte deles foi o pênalti atabalhoado cometido pelo zagueiro Lucas sobre o meio-campista Lucas, já nos minutos finais da peleja.

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Everton desperdiçou pênalti nos últimos minutos de jogo (Foto: retranca.blog)

Mas Everton mandou a cobrança pelos ares, longe da meta de Jackson.

Ao término do jogo, o técnico Paulo Mulle disse que tentou avisar o camisa 9 para mudar o jeito de bater a penalidade.

“Ele treina essa batida sempre em cima, mas tá no fim do jogo e a perna tá pesada. Não pode bater em cima. Essa bola vai subir”. E subiu.

Do lado do Novo, o treinador Piá não perdoou a segunda metade ruim de seus jogadores.

“Nós demos os dois gols e depois, num pênalti infantil, quase perdemos o jogo. Nossa equipe foi dispersa no segundo tempo”.

O empate em 2 a 2 mantém o Novo na zona de rebaixamento do Estadual, enquanto o União é o quinto colocado.

Se não houver nenhuma mudança na tabela – rotina no atual campeonato -, o ABC volta a campo no sábado (2), às 20h10, no Morenão, para receber a Serc pela quinta rodada.

Já o Novo encara o Costa Rica fora de casa, no Laertão, no domingo (3), às 16h.

CLASSIFICAÇÃO

Equipes

P

J

V

GP

SG

1º Águia Negra

 12

 4

 4

15

 13

2º Aquidauanense

 8

 4

 2

 5

 2

3º Comercial

 7

 4

 2

 4

 2

4º Costa Rica

 6

 4

 2

 4

-2

5º União/ABC

 5

 3

 1

 4

 1

6º Urso

 4

 3

 1

 2

 0

7º Serc

4

4

1

4

-1

8º Corumbaense

3

3

1

5

0

9º Operário

3

2

1

2

-1

10º Novo

1

2

0

2

-1

11º Sete

0

2

0

0

-5

12º Operário de Dourados

0

3

0

4

-8

Comercial afugenta o Urso do Morenão antes do clássico; veja a classificação

O gol de Renato Maceió aos 25 minutos do segundo tempo, aproveitando a bela enfiada de Danilo, sacramentou a retomada do Comercial ao caminho das vitórias.

Depois de duas rodadas sem triunfos, o Colorado bateu o Urso, de Mundo Novo, por 1 a 0, na noite desta quarta-feira (30), no Morenão, pela quarta rodada do Campeonato Estadual.

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Lance de Comercial e Urso, no Morenão (Foto: retranca.blog)

A peleja foi acompanhada por 218 torcedores (129 pagantes e 89 não pagantes), para uma renda de R$ 1.640,00.

Como o placar e o tempo do gol já adiantam, a partida não foi fácil para os comandados do técnico Mário Tilico.

O Colorado fez um primeiro tempo ruim. Não pressionou no início como deveria, já que vinha de dois resultados indesejados e estava em casa. Deu a bola para o Urso, que errou muitos passes e irritou o técnico Pedro Caçapa. O treinador falou sobre “excesso de confiança” aos seus atletas, já no vestiário.

Na volta para a segunda etapa, Tilico sacou o camisa nove Lucas Dronov e apostou em Ryan, que jogou na armação. A troca provocou maior movimentação dos atacantes Renato Maceió e França, que se revezavam no papel de se enfiar nas costas da zaga do Urso. O gol saiu em uma dessas jogadas.

Outra mudança proposta por Tilico foi recuar o volante Fernando Prado para a zaga, adiantando o improvisado Erthal para o meio-campo, sua posição de origem. A transição defesa-ataque funcionou melhor.

Autor do gol, Maceió relevou a turbulência nos bastidores e o desligamento do meia Paulo Roberto, que brigou com o zagueiro André Bahia no intervalo da derrota para o Aquidauanense.

“O grupo ficou mais forte e a gente vai mais confiante ainda para cima dos caras”, disse.

Os “caras” a quem Renato Maceió se refere são os jogadores do Operário, próximo adversário do Comercial. O clássico será no domingo (3), no Morenão, às 16h.

Com a vitória sobre o clube de Mundo Novo, o Colorado vai a terceira posição na tabela, com 7 pontos em quatro jogos.

O Urso, time que mais viaja nesse campeonato, é o sexto colocado, com 4 pontos em três partidas.

RODADA

Empate sem gols em Chapadão do Sul entre Serc e Aquidauanense à parte, a rodada no interior foi bastante movimentada.

Em Rio Brilhante, o Águia Negra passou o trator sobre o Operário de Dourados com ressoantes 6 a 1, no Ninho da Águia. Jhonatan, Salomão (duas vezes), Guilherme (também duas vezes) e Kareca fizeram os gols do time rubro-negro. O Tigre deu o troco com Bala.

No Arthur Marinho, o Corumbaense matou a saudade da torcida com uma goleada por 4 a 1 sobre o Costa Rica. Alexandro, Rafael (duas vezes) e Frankilin marcaram para o Carijó, enquanto Firmino deixou o seu a favor da Cobra do Norte.

Nesta quinta (31), Novo e União/ABC também jogam pela quarta rodada, às 20h10, no Morenão.

CLASSIFICAÇÃO

Equipes

P

J

V

GP

SG

1º Águia Negra

 12

 4

 4

15

 13

2º Aquidauanense

 8

 4

 2

 5

 2

3º Comercial

 7

 4

 2

 4

 2

4º Costa Rica

 6

 4

 2

 4

-2

5º União/ABC

 4

 2

 1

 2

 1

6º Urso

 4

 3

 1

 2

 0

7º Serc

4

4

1

4

-1

8º Corumbaense

3

3

1

5

0

9º Operário

3

2

1

2

-1

10º Novo

0

1

0

0

-1

11º Sete

0

2

0

0

-5

12º Operário de Dourados

0

3

0

4

-8

Imerso em mediocridade, Campeonato Estadual não é feito para o torcedor

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Só o Comercial subiu para a execução dos hinos antes do jogo com o Aquidauanense
(Foto: Álvaro Rezende/Correio do Estado)

Em quatro rodadas, seis mudanças na tabela.

Partidas adiadas às vésperas do programado. Jogo suspenso numa noite por falta de tempo hábil para viabilizar o estádio, mas remarcado na tarde seguinte exatamente para o local que há menos de 24 horas era inviável.

Tem time que vai encerrar a jornada quatro com quatro jogos. Tem time que vai terminar com apenas um.

Tem time que ainda não jogou pela segunda rodada. Tem time que vai a campo pela quarta rodada antes da partida pela segunda, com os dois confrontos adiados.

O Estadual sul-mato-grossense não é feito para o torcedor. Não há quem consiga acompanhar as constantes mudanças na tabela com a mesma destreza com que são feitas as alterações.

Quem pode garantir que o raro torcedor que leu a notícia sobre o adiamento do jogo de seu time certa noite, leu também que a partida foi remarcada na tarde seguinte?

As quase sempre vazias arquibancadas dos estádios do Estado não estão quase sempre vazias somente porque o futebol não agrada aos olhos.

Os estádios do Estado não estão quase sempre irregulares somente pelo rigor excessivo do Ministério Público Estadual.

O Estadual sul-mato-grossense é um encontro do festival da incompetência dos dirigentes de clubes com o desfile da indiferença da federação de futebol.

Forma-se, então, a parada do desrespeito. O espetáculo da mediocridade.

A imprensa – pequena, média ou grande – tem feito sua parte. À revelia dos patrões, que pouco se lixam para o futebol local.

Há jornalista deixando a redação às onze da noite de quarta-feira, só depois de escrever o relato dos jogos da rodada.

Tem repórter fotográfico e motorista passando do horário para ir até o estádio e trazer aquela foto legal que você vê na capa do jornal do dia seguinte.

Boa vontade tem limite. Seja do raro torcedor, seja da imprensa.

Quem se acostuma com a bagunça pode acabar engolido por ela.

ABC tropeça, levanta e busca empate com o Comercial; veja a classificação

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Lance de ABC x Comercial no Estádio Morenão (Foto: Retranca.blog)

O lateral-esquerdo Gabriel, 20 anos, era o segundo mais novo do União/ABC em campo. Só perdia para o goleiro Breno, de 19.

A inexperiência fez Gabriel dar um afobado carrinho e derrubar o atacante do Comercial, França, dentro da área. Pênalti marcado e convertido pelo camisa nove Léo Mineiro, aos 29 do primeiro tempo.

Dali pra frente Gabriel era só correria. Queria apagar a bobagem que fez.

A bronca no vestiário do ABC foi ouvida de dentro do gramado do Morenão, entre uma trovoada e outra na noite desta quarta-feira (24). “A imprensa tá aí!”, gritou alguém.

Além da imprensa, 234 torcedores acompanharam a peleja no Morenão. A torcida do ABC se concentrou nas cadeiras, enquanto a colorada ficou nas arquibancadas.

Com velocidade, o jovem time do técnico Paulo Mulle empurrava o Comercial para trás após o intervalo.

Faltava finalização. Os reservas do ABC que aqueciam atrás do gol reclamavam que os titulares queriam entrar com bola e tudo na meta defendida pelo experiente Rodolfo.

Rodolfo que fez cera ainda no primeiro tempo. Aguardava a pressão dos atacantes do ABC para só então agarrar a bola que sobrava.

Mesmo no lado oposto do campo, Everton pareceu ouvir seus companheiros. Recebeu na entrada da área e chutou forte sem hesitar. Rodolfo, desta vez, não agarrou. 1 a 1, aos 36 minutos da etapa final.

Deu tempo ainda do volante Danilo acertar a trave do goleiro Breno, em cobrança de falta, e do atacante França ser expulso após levar o segundo cartão amarelo.

Mas o placar permaneceu o mesmo.

O técnico do Comercial, Mário Tilico, mexeu uma vez só – Matheus Gabriel no lugar de Léo Mineiro – e achou justo o empate. “Está tudo dentro do planejamento”, revelou.

O professor do ABC, Paulo Mulle, lamentou o gol tardio e o vacilo de Gabriel ao cometer o pênalti, mas achou que dava para ter saído do Morenão com a vitória. “Infelizmente foi um ponto só. Nós queríamos três”.

ABC e Comercial jogam rodada dupla no estádio universitário, domingo (27), pela próxima rodada. O primeiro encara o Sete de Dourados, às 10h. O segundo duela com o Aquidauanense, às 16h.

RODADA

Ainda nesta quarta, em Rio Brilhante, o Águia Negra passou por cima do Operário, com sonoros 3 a 0 no Estádio Ninho da Águia. Gols de Pedro, Guilherme e Gugu.

No Laertão, o Costa Rica impôs nova derrota ao Sete de Dourados, por 1 a 0. Gol de Miller.

Mais cedo, no Noroeste, Aquidauanense e Urso empataram em 1 a 1. O Azulão fez com Agnaldo, enquanto Filipe anotou o tento do clube de Mundo Novo.

CLASSIFICAÇÃO

Equipes P J V GP SG
1º Águia Negra  6  2  2 7  7
2º Comercial  4  2  1  3  2
3º Aquidauanense  4  2  1  4  1
4º União/ABC  4  2  1  2  1
4º Urso  4  2  1  2  1
6º Serc 3  2  1  3  0
7º Costa Rica 3 2 1 1  0
8º Operário 3 2 1 2 -1
9º Novo 0 1 0 0 -1
10º Corumbaense 0 1 0 0 -2
11º Operário de Dourados 0 2 0 3 -3
12º Sete 0 2 0 0 -5

Faltou água e até cadeira na primeira rodada do Campeonato Estadual

Os jogadores de Novo e Urso deixaram o Estádio das Moreninhas sem tomar banho no último domingo (20). Não que os atletas dos times sejam avessos a chuveiro, esponja e sabonete. Faltou água nos vestiários mesmo.

Ao menos foi o que apontou o árbitro Augusto Domingos Borges Ortega na súmula da partida, válida pela primeira rodada do Sul-mato-grossense e que terminou com vitória por 1 a 0 dos visitantes.

O próprio juiz também voltou para casa sem aquela refrescante ducha pós-peleja, pois, segundo ele, o vestiário da arbitragem também não tinha água para banho.

Ortega foi auxiliado por Adriano Ferreira da Silva e Maycon Aparecido Lacerda. O quarto árbitro era Renan Roberto Barbieri Dan Pereira.

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Lance de Novo e Urso nas Moreninhas (Foto: Bruno Leal/TV Sobrinho MS)

Se nas Moreninhas faltou água, no Morenão faltou cadeira. A súmula do jogo entre Comercial e Serc – vencido pelo Colorado por 2 a 0 – traz o relato.

De acordo com o juiz Neuri Antonio Pryzbulinski, “não havia cadeiras e nem bancos em condições de uso para que os árbitros pudessem se acomodar” no vestiário destinado aos sopradores de apito.

Além de Pryzbulinski, os bandeirinhas Leandro dos Santos Ruberdo e Andanclei Neves Barros, bem como o quarto árbitro Rodrigo de Oliveira Lopes precisaram se desdobrar para amarrar as chuteiras antes da partida.

Comercial joga um tempo só e vence; Tilico e Arilson resenham no túnel

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Danilo com a bola no pé (Foto: Jones Mário)

De camisa 8 nas costas, Danilo fez o primeiro gol do Campeonato Estadual 2019. O volante comercialino recebeu do platinado atacante Hyago na entrada da área, cortou pra direita e bateu no canto esquerdo de Renan. O goleiro da Serc poderia chegar, mas não chegou.

1 a 0 no Estádio Morenão, que recebeu 375 torcedores na tarde quente deste sábado (19).

O Comercial recuou e irritou o goleiro Rodolfo. De volta à esquadra vermelha, o homem das luvas chamava a atenção do técnico Mário Tilico. Pedia para o time sair de trás. Tilico concordou.

O Colorado aumentaria o placar aos 44 minutos, com o atacante Léo Mineiro, que sofreu e converteu pênalti.

Mas o Comercial não voltou pro segundo tempo. Pra sorte dos comercialinos, a Serc também não voltou.

2 a 0, placar suficiente para o Colorado dormir na liderança do torneio.

Destaque positivo para o volante Danilo, com bom passe e boa chegada.

Os meia-acatantes Hyago e Eduardo França, que disputaram o Estadual passado e seguiram no Comercial, também foram bem. O primeiro foi bastante participativo e soube colocar a bola no chão quando preciso. O segundo imprimiu velocidade e profundidade no lado direito do ataque.

Do lado chapadense, o atacante Billy deu trabalho para a zaga colorada. Mesmo franzino, mostrou presença de área.

RESENHA
O técnico do Operário Arilson Costa acompanhou a partida. Ao fim, se encontrou com Tilico no túnel que dá acesso ao vestiário do clube mandante.

O bate-papo foi descontraído. Arilson elogiou a boa forma do treinador comercialino. Tilico quis marcar um novo encontro, mas citou a agenda apertada de jogos.

A troca de ideias deu indícios de que, ao menos fora de campo, o clássico Comerário deste ano promete mais cordialidade. Ao contrário do último, que foi parar nas manchetes internacionais por causa da agressão ao gandula colorado.

O Comercial volta a campo nesta quarta-feira (23), contra o União/ABC, às 20h30, novamente no Morenão.

ABC que bateu o Costa Rica por 1 a 0, gol de Everton, também no sábado, no Estádio das Moreninhas.

Em Aquidauana, o Operário de Dourados deu mais trabalho do que se imaginava, mas perdeu para o Aquidauanense por 3 a 2, no Noroeste, completando a jornada do Estadual neste sábado. Agostinho fez os dois gols do Tigre; Uélison Santana e Rodrigo (duas vezes) marcaram para o Azulão.

Promotor lava as mãos e pendura Morenão na conta do Aleixo

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Promotor Luiz Eduardo de Almeida e vice-presidente da FFMS Marco Tavares no Morenão
(Foto: Ana Paula Leite/MPE)

O promotor de Justiça Luiz Eduardo de Almeida pareceu ter os dois pés atrás para liberar o Estádio Morenão.

Deu um “ok” aos laudos de engenharia, segurança, prevenção e combate a incêndio e pânico e vigilância sanitária  – entregues pela Federação de Futebol do Estado (FFMS) -, mas quis ver com os próprios olhos as condições da praça esportiva.

Fez ressalvas diante da sujeira encontrada em pontos do estádio durante a vistoria na manhã de quinta-feira (17).

Acabou por liberar o lado coberto do Morenão, não sem antes exigir uma série de novos reparos e adequações nos sistemas estrutural e elétrico, que devem ser corrigidos em até três meses para evitar uma interdição.

Os problemas foram apontados como de “grau médio” pelo engenheiro Eduardo Aleixo, responsável pelo laudo de engenharia que aprovou – com restrições – as condições da praça esportiva.

Mas a prova cabal da hesitação do promotor em autorizar o uso do estádio se concretizou na quarta-feira (16), quando se reuniu com Aleixo e conseguiu um álibi.

Luiz Eduardo de Almeida fazia questão do encontro. Queria a presença do engenheiro na 43ª Promotoria, fosse na quarta, fosse na quinta-feira, como mostram os autos do inquérito aberto para apurar as condições de segurança do torcedor no Morenão.

Aleixo foi até o promotor faltando quinze minutos para o fim do expediente comercial. Se deparou com o relatório de vistoria elaborado pelo Departamento Especial de Apoio às Atividades de Execução (Daex) do MPE. O documento reforçava os problemas estruturais já observados pelo engenheiro e apontava outros.

O profissional foi questionado sobre o risco efetivo de algum incidente no Morenão diante das anomalias de grau médio.

Eduardo Aleixo não se atreveu a contrapor o documento do Daex e ainda garantiu não haver risco algum.

Era o que o promotor queria ouvir, tanto que logo encerrou a reunião.

Luiz Eduardo de Almeida expôs o garantia dada por Aleixo na deliberação em que comunicou a liberação do estádio. Duas vezes.

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Fac-símile: promotor reproduz garantia do engenheiro na deliberação que liberou o Morenão

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Fac-símile: duas vezes

De mãos limpas, o promotor aparenta ter colocado o principal estádio de Campo Grande na conta do engenheiro.

Fato é que ninguém está disposto a segurar a bucha. O risco de olhar para dentro do canhão e ver uma luz flamejante é cada vez maior.

Comercial vai pegar a estrada só duas vezes; Urso terá de “cruzar o Atlântico”

O Urso, de Mundo Novo, será o maior prejudicado pelo novo formato do Campeonato Sul-mato-grossense. O time do extremo sul do Estado vai precisar pegar 7.720 quilômetros de estrada para cumprir suas seis partidas fora de casa.

A distância é a mesma que separa a cidade do Rio de Janeiro de Lisboa, capital de Portugal. A equipe do técnico Pedro Caçapa deve passar aproximadamente 100 horas dentro do ônibus.

Por outro lado, o Comercial é o time com menos compromissos longe de sua casa. Os comandados do técnico Mário Tilico só deixarão Campo Grande duas vezes, para enfrentar Sete e Operário de Dourados, em Dourados.

O Colorado tem 912 quilômetros de asfalto pela frente, equivalentes a 12 horas.

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Comercial treina no campo do Vovó Ziza (Foto: Reprodução/Facebook/EC Comercial)

Já a equipe do Sete de Dourados, campeã em 2016, vai somar 5.818 quilômetros em viagens ao término da primeira fase do Estadual. Destes, 1.368 quilômetros por causa dos jogos que deve fazer em Campo Grande para pagar uma punição.

Após torcedores lançarem objetos no gramado na semifinal do Estadual passado, contra o Operário, o clube douradense foi obrigado pelo Tribunal de Justiça Desportiva da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (TJD/FFMS) a mandar três partidas a pelo menos 100 quilômetros de sua sede.

O primeiro jogo do Sete na condição de mandante já está marcado para o Morenão, neste domingo (20), diante do Águia Negra. Os outros dois são contra União/ABC e Operário, ainda com local indefinido.

O Estadual deste ano terá um grupo só em sua primeira fase, com os 12 clubes. Todos jogarão contra todos em turno único, ao contrário do formato aplicado entre 2015 e 2018, quando a dúzia de equipes era dividida em duas chaves regionalizadas. A mudança foi proposta e aprovada pelos próprios presidentes dos times, durante arbitral.

As despesas dos clubes com viagens são tradicionalmente custeadas pelo repasse da Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte) para a FFMS. A autarquia oficializou R$ 622.720,00 de fomento ao Campeonato Estadual, que correspondem a R$ 51,8 mil por clube.

Veja abaixo a relação dos clubes e distâncias que vão percorrer:

Urso – 7.720 quilômetros
O time de Mundo Novo vai fazer a viagem mais longa dessa edição do Estadual na 9ª rodada, até Corumbá, para enfrentar o Corumbaense no Arthur Marinho (que ainda não estava liberado até a publicação deste texto). Serão 1.624 quilômetros para ir e voltar do extremo sul do Estado para a cidade pantaneira.

O Urso ainda percorrerá 1.604 quilômetros para jogar com o Costa Rica no Laertão e outros 1.584 quilômetros para enfrentar a Serc em Chapadão do Sul (cujo estádio também não estava liberado até esta postagem).

Sete de Dourados – 5.818 quilômetros
O time douradense sentirá este ano os reflexos da bobagem cometida por parte de sua torcida na semifinal contra o Operário, em 2018. Serão três jogos como mandante a pelo menos 100 quilômetros de Dourados e a opção mais viável encontrada pelo clube é Campo Grande. Não fosse pela punição, teria 4.450 quilômetros de rodovias pela frente.

Serc – 4.894 quilômetros
Dos times do interior, o de Chapadão do Sul é o que mais virá para Campo Grande. Além dos quatro jogos fora de casa contra Comercial, Operário, Novo e União/ABC, vai enfrentar o Operário de Dourados também na Capital. Isto porque o Estádio Douradão, onde o Tigre mandaria a peleja, ainda não está regularizado.

Corumbaense – 4.818 quilômetros
O atual vice-campeão também tem Campo Grande como seu principal destino fora de casa. Estreia visitando o Operário e depois viaja para medir forças com União/ABC (6ª rodada) e Comercial (10ª rodada). O trajeto mais longo deve ser para encarar o Operário de Dourados no Douradão, pela quinta rodada, contando com a liberação do estádio.

Costa Rica – 4.738 quilômetros
A exemplo do Carijó da Avenida, visitará a Capital três vezes para duelar com União/ABC (1ª rodada), Comercial (8ª rodada) e Operário (10ª rodada). A Cobra do Norte também pegará 1.538 quilômetros para ir e voltar do confronto com o Corumbaense pela quarta rodada, e mais 1.000 quilômetros de trajeto para encarar o Águia Negra em Rio Brilhante, na sétima rodada.

Aquidauanense – 3.608 quilômetros
O Azulão vai fazer duas viagens de quase mil quilômetros. Enfrenta a Serc em Chapadão do Sul na quarta rodada, com itinerário de 946 quilômetros, e joga com o Costa Rica no Laertão, em trajeto de 964 quilômetros.

Operário de Dourados – 3.242 quilômetros
A maior viagem do Tigre será para visitar o Costa Rica pela sexta rodada – 1.136 quilômetros. O time douradense economizaria 456 quilômetros de ida e volta de Campo Grande para “receber” a Serc, na segunda rodada, caso o Douradão já estivesse regularizado.

Novo – 2.604 quilômetros
É a equipe de Campo Grande com mais compromissos fora de casa – serão cinco jogos. O mais longe deve ser pela segunda rodada, contra o Corumbaense, em viagem de 856 quilômetros. A partida foi adiada para 13 de fevereiro, já que o Carijó ainda não conseguiu a liberação do Estádio Arthur Marinho.

Águia Negra – 2.546 quilômetros
Com cinco jogos longe de Rio Brilhante, o mais distante será pela décima rodada, quando precisará percorrer 980 quilômetros de estrada para visitar a Serc, em Chapadão do Sul.

Operário – 1.702 quilômetros
O atual campeão tem três partidas para fazer distante de seus domínios. Sua viagem mais longa será já na terceira rodada, de 926 quilômetros, quando vai visitar o Urso em Mundo Novo. O time do sul do Estado ainda não regularizou seu estádio, a Toca do Urso.

O Galo deve ser beneficiado pela punição ao Sete, já que o duelo entre os campeões de 2018 e 2016, cujo mando de campo é dos douradenses, provavelmente será realizado em Campo Grande.

União/ABC – 1.664 quilômetros
A equipe do treinador Paulo Mulle é mais uma que deve aproveitar a punição ao Sete, adversário da terceira rodada e que pode mandar na Capital a segunda de suas três partidas a 100 quilômetros de Dourados. Como o Operário, o União/ABC também percorrerá 926 quilômetros para visitar o Urso, na oitava rodada.

Comercial – 912 quilômetros
A tabela mais generosa do Estadual é a do Colorado, que só sairá da Capital duas vezes. O time do técnico Mário Tilico vai viajar para enfrentar Sete e Operário de Dourados, na sexta e na última rodada, respectivamente. Serão 456 quilômetros para ir e voltar de cada um destes compromissos.

Nota explicativa: as distâncias são de ida e volta para cada confronto e foram precisadas via Google Maps. O cálculo considera que as equipes voltarão para suas cidades após os confrontos. Possíveis “escalas” programadas para que o time permaneça fora de casa até a próxima rodada, a fim de evitar uma viagem a mais, foram ignoradas.

Ao mestre, com carinho

As pessoas amam e agradecem demais hoje em dia. Fazem questão de tornar públicos estes sentimentos. Posso parecer ranzinza (talvez seja), mas não sou disso. Algumas pessoas, porém, mudaram minha vida, me marcaram. Gente a quem devo gratidão infinita e que deve ser reconhecida. Luciano Shakihama, você é uma delas.

Fui estagiário de Esportes no jornal O Estado de MS, editoria tocada por “Kishô”, durante nove meses. Saí de um trampo onde ganhava mais por causa da fama de escola do veículo. Se tinha um momento em que eu poderia optar por receber menos, era aquele. E foram os nove meses em que mais fui feliz fazendo jornalismo.

Kishô, você foi o professor de redação que não tive na graduação. Sabe lapidar o texto de um “foca”. Não fosse por ti, os meus seriam redundantes até hoje.

Foi contigo que aprendi de fato a importância do gancho na reportagem. Títulos como “Capital recebe tal torneio” não tinham vez. Você sempre me instigou a ir atrás de um diferencial, algo que trouxesse originalidade e criatividade à pauta.

Desconfiança e cautela também absorvi de suas lições. “E se isso não acontecer?”, “Mas, e se esse cara estiver mentindo?”, “Quem disse tal coisa no texto? Tem que sempre citar a fonte”.

Tive a sorte de ter você como editor em ano de Copa do Mundo no Brasil. Contigo digeri o choque do 7 a 1 e, antes disso, os dilemas do “vai ter Copa” e do “não vai ter Copa”.

Me pautou para entrevistar Marcos, o goleiro do penta; Ana Moser, ícone do vôlei; Zico, ídolo do Flamengo. Me mandou para o futebol amador dos bairros, jogos escolares.

A maior história da minha curta trajetória como jornalista foi sob sua batuta. Morenão impedido pelo Ministério Público de receber partidas. Interdição que durou até o começo desse ano. Conseguimos documentos, detalhes e boas entrevistas. “Dossiê Morenão”, sugeri. Você, louco, acatou e quase emplacamos uma manchete com uma pauta de Esportes.

Minha maior frustração era te encontrar chegando, eu de saída, e dizer que a manhã não tinha rendido nada. “Deixei um Panorama só e o ‘Na TV’. Hoje tava foda”.

Pensando bem, frustrante mesmo foi ter convivido tão pouco com sua genialidade. Cabeça sempre a mil, ideias em profusão, sagacidade e faro aguçado. Inspirador para qualquer jornalista que se interessa por esporte.

Fora de campo”, papos sobre música, política e futebol, claro. Trocadilhos e mais trocadilhos, inteligentes ou infames. Ou os dois.

Com sua pretensa (digo isso porque o vi na pista de dança de dois casamentos) timidez, quase não ouvia sua voz quando falava comigo. Mesmo assim, é a sua voz que ouço na minha cabeça quando reviso meu texto e encontro alguma besteira que escrevi. Acho que vou te ouvir pra sempre na minha mente. E minha gratidão por isso não cabe em mim, por isso faço questão de externalizar.

Hoje se encerra uma era no jornalismo esportivo de Campo Grande e do Estado. Era que você mesmo magistralmente construiu.

Como diz aquela música que sei que você gosta, “tudo vai, tudo é fase, irmão. Logo mais vamo arrebentar no mundão”.

Sinto que nossas estradas vão se cruzar novamente.

Por enquanto, obrigado por mudar minha minha vida.