Faltou água e até cadeira na primeira rodada do Campeonato Estadual

Os jogadores de Novo e Urso deixaram o Estádio das Moreninhas sem tomar banho no último domingo (20). Não que os atletas dos times sejam avessos a chuveiro, esponja e sabonete. Faltou água nos vestiários mesmo.

Ao menos foi o que apontou o árbitro Augusto Domingos Borges Ortega na súmula da partida, válida pela primeira rodada do Sul-mato-grossense e que terminou com vitória por 1 a 0 dos visitantes.

O próprio juiz também voltou para casa sem aquela refrescante ducha pós-peleja, pois, segundo ele, o vestiário da arbitragem também não tinha água para banho.

Ortega foi auxiliado por Adriano Ferreira da Silva e Maycon Aparecido Lacerda. O quarto árbitro era Renan Roberto Barbieri Dan Pereira.

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Lance de Novo e Urso nas Moreninhas (Foto: Bruno Leal/TV Sobrinho MS)

Se nas Moreninhas faltou água, no Morenão faltou cadeira. A súmula do jogo entre Comercial e Serc – vencido pelo Colorado por 2 a 0 – traz o relato.

De acordo com o juiz Neuri Antonio Pryzbulinski, “não havia cadeiras e nem bancos em condições de uso para que os árbitros pudessem se acomodar” no vestiário destinado aos sopradores de apito.

Além de Pryzbulinski, os bandeirinhas Leandro dos Santos Ruberdo e Andanclei Neves Barros, bem como o quarto árbitro Rodrigo de Oliveira Lopes precisaram se desdobrar para amarrar as chuteiras antes da partida.

Comercial joga um tempo só e vence; Tilico e Arilson resenham no túnel

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Danilo com a bola no pé (Foto: Jones Mário)

De camisa 8 nas costas, Danilo fez o primeiro gol do Campeonato Estadual 2019. O volante comercialino recebeu do platinado atacante Hyago na entrada da área, cortou pra direita e bateu no canto esquerdo de Renan. O goleiro da Serc poderia chegar, mas não chegou.

1 a 0 no Estádio Morenão, que recebeu 375 torcedores na tarde quente deste sábado (19).

O Comercial recuou e irritou o goleiro Rodolfo. De volta à esquadra vermelha, o homem das luvas chamava a atenção do técnico Mário Tilico. Pedia para o time sair de trás. Tilico concordou.

O Colorado aumentaria o placar aos 44 minutos, com o atacante Léo Mineiro, que sofreu e converteu pênalti.

Mas o Comercial não voltou pro segundo tempo. Pra sorte dos comercialinos, a Serc também não voltou.

2 a 0, placar suficiente para o Colorado dormir na liderança do torneio.

Destaque positivo para o volante Danilo, com bom passe e boa chegada.

Os meia-acatantes Hyago e Eduardo França, que disputaram o Estadual passado e seguiram no Comercial, também foram bem. O primeiro foi bastante participativo e soube colocar a bola no chão quando preciso. O segundo imprimiu velocidade e profundidade no lado direito do ataque.

Do lado chapadense, o atacante Billy deu trabalho para a zaga colorada. Mesmo franzino, mostrou presença de área.

RESENHA
O técnico do Operário Arilson Costa acompanhou a partida. Ao fim, se encontrou com Tilico no túnel que dá acesso ao vestiário do clube mandante.

O bate-papo foi descontraído. Arilson elogiou a boa forma do treinador comercialino. Tilico quis marcar um novo encontro, mas citou a agenda apertada de jogos.

A troca de ideias deu indícios de que, ao menos fora de campo, o clássico Comerário deste ano promete mais cordialidade. Ao contrário do último, que foi parar nas manchetes internacionais por causa da agressão ao gandula colorado.

O Comercial volta a campo nesta quarta-feira (23), contra o União/ABC, às 20h30, novamente no Morenão.

ABC que bateu o Costa Rica por 1 a 0, gol de Everton, também no sábado, no Estádio das Moreninhas.

Em Aquidauana, o Operário de Dourados deu mais trabalho do que se imaginava, mas perdeu para o Aquidauanense por 3 a 2, no Noroeste, completando a jornada do Estadual neste sábado. Agostinho fez os dois gols do Tigre; Uélison Santana e Rodrigo (duas vezes) marcaram para o Azulão.

Promotor lava as mãos e pendura Morenão na conta do Aleixo

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Promotor Luiz Eduardo de Almeida e vice-presidente da FFMS Marco Tavares no Morenão
(Foto: Ana Paula Leite/MPE)

O promotor de Justiça Luiz Eduardo de Almeida pareceu ter os dois pés atrás para liberar o Estádio Morenão.

Deu um “ok” aos laudos de engenharia, segurança, prevenção e combate a incêndio e pânico e vigilância sanitária  – entregues pela Federação de Futebol do Estado (FFMS) -, mas quis ver com os próprios olhos as condições da praça esportiva.

Fez ressalvas diante da sujeira encontrada em pontos do estádio durante a vistoria na manhã de quinta-feira (17).

Acabou por liberar o lado coberto do Morenão, não sem antes exigir uma série de novos reparos e adequações nos sistemas estrutural e elétrico, que devem ser corrigidos em até três meses para evitar uma interdição.

Os problemas foram apontados como de “grau médio” pelo engenheiro Eduardo Aleixo, responsável pelo laudo de engenharia que aprovou – com restrições – as condições da praça esportiva.

Mas a prova cabal da hesitação do promotor em autorizar o uso do estádio se concretizou na quarta-feira (16), quando se reuniu com Aleixo e conseguiu um álibi.

Luiz Eduardo de Almeida fazia questão do encontro. Queria a presença do engenheiro na 43ª Promotoria, fosse na quarta, fosse na quinta-feira, como mostram os autos do inquérito aberto para apurar as condições de segurança do torcedor no Morenão.

Aleixo foi até o promotor faltando quinze minutos para o fim do expediente comercial. Se deparou com o relatório de vistoria elaborado pelo Departamento Especial de Apoio às Atividades de Execução (Daex) do MPE. O documento reforçava os problemas estruturais já observados pelo engenheiro e apontava outros.

O profissional foi questionado sobre o risco efetivo de algum incidente no Morenão diante das anomalias de grau médio.

Eduardo Aleixo não se atreveu a contrapor o documento do Daex e ainda garantiu não haver risco algum.

Era o que o promotor queria ouvir, tanto que logo encerrou a reunião.

Luiz Eduardo de Almeida expôs o garantia dada por Aleixo na deliberação em que comunicou a liberação do estádio. Duas vezes.

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Fac-símile: promotor reproduz garantia do engenheiro na deliberação que liberou o Morenão

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Fac-símile: duas vezes

De mãos limpas, o promotor aparenta ter colocado o principal estádio de Campo Grande na conta do engenheiro.

Fato é que ninguém está disposto a segurar a bucha. O risco de olhar para dentro do canhão e ver uma luz flamejante é cada vez maior.

Comercial vai pegar a estrada só duas vezes; Urso terá de “cruzar o Atlântico”

O Urso, de Mundo Novo, será o maior prejudicado pelo novo formato do Campeonato Sul-mato-grossense. O time do extremo sul do Estado vai precisar pegar 7.720 quilômetros de estrada para cumprir suas seis partidas fora de casa.

A distância é a mesma que separa a cidade do Rio de Janeiro de Lisboa, capital de Portugal. A equipe do técnico Pedro Caçapa deve passar aproximadamente 100 horas dentro do ônibus.

Por outro lado, o Comercial é o time com menos compromissos longe de sua casa. Os comandados do técnico Mário Tilico só deixarão Campo Grande duas vezes, para enfrentar Sete e Operário de Dourados, em Dourados.

O Colorado tem 912 quilômetros de asfalto pela frente, equivalentes a 12 horas.

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Comercial treina no campo do Vovó Ziza (Foto: Reprodução/Facebook/EC Comercial)

Já a equipe do Sete de Dourados, campeã em 2016, vai somar 5.818 quilômetros em viagens ao término da primeira fase do Estadual. Destes, 1.368 quilômetros por causa dos jogos que deve fazer em Campo Grande para pagar uma punição.

Após torcedores lançarem objetos no gramado na semifinal do Estadual passado, contra o Operário, o clube douradense foi obrigado pelo Tribunal de Justiça Desportiva da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (TJD/FFMS) a mandar três partidas a pelo menos 100 quilômetros de sua sede.

O primeiro jogo do Sete na condição de mandante já está marcado para o Morenão, neste domingo (20), diante do Águia Negra. Os outros dois são contra União/ABC e Operário, ainda com local indefinido.

O Estadual deste ano terá um grupo só em sua primeira fase, com os 12 clubes. Todos jogarão contra todos em turno único, ao contrário do formato aplicado entre 2015 e 2018, quando a dúzia de equipes era dividida em duas chaves regionalizadas. A mudança foi proposta e aprovada pelos próprios presidentes dos times, durante arbitral.

As despesas dos clubes com viagens são tradicionalmente custeadas pelo repasse da Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte) para a FFMS. A autarquia oficializou R$ 622.720,00 de fomento ao Campeonato Estadual, que correspondem a R$ 51,8 mil por clube.

Veja abaixo a relação dos clubes e distâncias que vão percorrer:

Urso – 7.720 quilômetros
O time de Mundo Novo vai fazer a viagem mais longa dessa edição do Estadual na 9ª rodada, até Corumbá, para enfrentar o Corumbaense no Arthur Marinho (que ainda não estava liberado até a publicação deste texto). Serão 1.624 quilômetros para ir e voltar do extremo sul do Estado para a cidade pantaneira.

O Urso ainda percorrerá 1.604 quilômetros para jogar com o Costa Rica no Laertão e outros 1.584 quilômetros para enfrentar a Serc em Chapadão do Sul (cujo estádio também não estava liberado até esta postagem).

Sete de Dourados – 5.818 quilômetros
O time douradense sentirá este ano os reflexos da bobagem cometida por parte de sua torcida na semifinal contra o Operário, em 2018. Serão três jogos como mandante a pelo menos 100 quilômetros de Dourados e a opção mais viável encontrada pelo clube é Campo Grande. Não fosse pela punição, teria 4.450 quilômetros de rodovias pela frente.

Serc – 4.894 quilômetros
Dos times do interior, o de Chapadão do Sul é o que mais virá para Campo Grande. Além dos quatro jogos fora de casa contra Comercial, Operário, Novo e União/ABC, vai enfrentar o Operário de Dourados também na Capital. Isto porque o Estádio Douradão, onde o Tigre mandaria a peleja, ainda não está regularizado.

Corumbaense – 4.818 quilômetros
O atual vice-campeão também tem Campo Grande como seu principal destino fora de casa. Estreia visitando o Operário e depois viaja para medir forças com União/ABC (6ª rodada) e Comercial (10ª rodada). O trajeto mais longo deve ser para encarar o Operário de Dourados no Douradão, pela quinta rodada, contando com a liberação do estádio.

Costa Rica – 4.738 quilômetros
A exemplo do Carijó da Avenida, visitará a Capital três vezes para duelar com União/ABC (1ª rodada), Comercial (8ª rodada) e Operário (10ª rodada). A Cobra do Norte também pegará 1.538 quilômetros para ir e voltar do confronto com o Corumbaense pela quarta rodada, e mais 1.000 quilômetros de trajeto para encarar o Águia Negra em Rio Brilhante, na sétima rodada.

Aquidauanense – 3.608 quilômetros
O Azulão vai fazer duas viagens de quase mil quilômetros. Enfrenta a Serc em Chapadão do Sul na quarta rodada, com itinerário de 946 quilômetros, e joga com o Costa Rica no Laertão, em trajeto de 964 quilômetros.

Operário de Dourados – 3.242 quilômetros
A maior viagem do Tigre será para visitar o Costa Rica pela sexta rodada – 1.136 quilômetros. O time douradense economizaria 456 quilômetros de ida e volta de Campo Grande para “receber” a Serc, na segunda rodada, caso o Douradão já estivesse regularizado.

Novo – 2.604 quilômetros
É a equipe de Campo Grande com mais compromissos fora de casa – serão cinco jogos. O mais longe deve ser pela segunda rodada, contra o Corumbaense, em viagem de 856 quilômetros. A partida foi adiada para 13 de fevereiro, já que o Carijó ainda não conseguiu a liberação do Estádio Arthur Marinho.

Águia Negra – 2.546 quilômetros
Com cinco jogos longe de Rio Brilhante, o mais distante será pela décima rodada, quando precisará percorrer 980 quilômetros de estrada para visitar a Serc, em Chapadão do Sul.

Operário – 1.702 quilômetros
O atual campeão tem três partidas para fazer distante de seus domínios. Sua viagem mais longa será já na terceira rodada, de 926 quilômetros, quando vai visitar o Urso em Mundo Novo. O time do sul do Estado ainda não regularizou seu estádio, a Toca do Urso.

O Galo deve ser beneficiado pela punição ao Sete, já que o duelo entre os campeões de 2018 e 2016, cujo mando de campo é dos douradenses, provavelmente será realizado em Campo Grande.

União/ABC – 1.664 quilômetros
A equipe do treinador Paulo Mulle é mais uma que deve aproveitar a punição ao Sete, adversário da terceira rodada e que pode mandar na Capital a segunda de suas três partidas a 100 quilômetros de Dourados. Como o Operário, o União/ABC também percorrerá 926 quilômetros para visitar o Urso, na oitava rodada.

Comercial – 912 quilômetros
A tabela mais generosa do Estadual é a do Colorado, que só sairá da Capital duas vezes. O time do técnico Mário Tilico vai viajar para enfrentar Sete e Operário de Dourados, na sexta e na última rodada, respectivamente. Serão 456 quilômetros para ir e voltar de cada um destes compromissos.

Nota explicativa: as distâncias são de ida e volta para cada confronto e foram precisadas via Google Maps. O cálculo considera que as equipes voltarão para suas cidades após os confrontos. Possíveis “escalas” programadas para que o time permaneça fora de casa até a próxima rodada, a fim de evitar uma viagem a mais, foram ignoradas.