Sopa de cautela

Comercial e Operário voltam à campo neste fim de semana pela segunda rodada do “Sul-mato-grossensezão”. Não voltam sozinhos. Depois da boa estreia das duas principais equipes de Campo Grande, seus torcedores automedicaram-se com boas doses de “Empolgol”. O efeito colateral do xarope também vai ao gramado.

empolgolO Colorado visita a Serc neste sábado (4), às 16h, no Morenão. Isso mesmo. O time de Chapadão do Sul será mandante do duelo em Campo Grande porque ainda não conseguiu a liberação de seu estádio. Melhor para o Comercial, que agora só pega a estrada pela primeira fase do Estadual para fechar o returno diante do Costa Rica, dia 26 de março.

Noves fora a confusão, o time do técnico Márcio Bittencourt fez corar o mais pessimista dos comercialinos no debute contra o Novo. Não pelo placar, um corriqueiro 2 a 1, mas pela atuação, em especial no primeiro tempo.

O trio ofensivo – Danielzinho, Rodrigo Ost e Roger – mostrou um entrosamento precoce, com velocidade pelos lados do campo e boas tabelas. Glauber tomou conta da articulação e o lateral-direito Cafu provou que o passar dos anos o deixou mais sóbrio quando ataca.

Mas calma lá. O Novo não soube fazer frente ao ímpeto vermelho. O agora alviverde nada mais foi do que um amontoado de jogadores correndo atrás da bola. A saída repentina do técnico Mauro Marino desestabilizou o grupo. O banco de reservas no domingo passado era uma micareta de opiniões e o interino Gilberto dos Santos parecia se perguntar onde foi que amarrara seu jegue.

Mesmo superior, o Comercial cansou no segundo tempo e, não fosse a inércia do Novo e a incompetência dos que finalizaram nas poucas chances que o time teve, o retorno colorado ao Morenão seria menos glorioso. O sistema defensivo comercialino teve atuação insegura, com falhas de posicionamento e bolas nas costas dos laterais. É aí que o perigo faz morada.

Tomar quatro vezes ao dia

As doses de Empolgol foram ainda maiores entre a torcida do Operário, que encontra o Novo neste domingo (5), às 16h, no Morenão. Também pudera. Os comandados de Celso Rodrigues golearam por 4 a 0 os pupilos de Robert, técnico do União/ABC. Houve alvinegro projetando a final do campeonato depois dos golaços de Wilson e Rodrigo Grahl.

Exagero puro. A contar pelo que apresentou contra o Galo, o União/ABC entra forte na briga para voltar à Série B Estadual. O plantel do inexperiente Robert é jovem demais, limitado tecnicamente e com opções escassas.

O Operário, claro, teve muitos méritos. Grahl jogou os 90 minutos e liderou a equipe na cancha. Eduardo Arroz distribuiu bem o jogo e deu até passe para gol. Agnaldo apareceu bem na meia-direita e anotou dois gols com muita frieza. Igor Vilela movimentou-se por todo o campo e, com uma pitada a mais de objetividade, deve deslanchar.

Apesar do placar elástico, o Galo também demonstrou seus defeitos. A saída de bola da defesa para o ataque nem sempre fluía com naturalidade. E tome ligação direta e lançamentos saindo dos pés dos zagueiros. O bom meio-campo, com Eduardo Arroz, Agnaldo e Leandro Diniz, precisa de mais tempo para encaixar.

Bazílio Amaral chega para assumir o Novo e a equipe pode (e deve) mostrar um pouco mais de confiança e organização em campo. Apesar da estreia desanimadora, o grupo é capaz de dar mais trabalho. E a caminhada (re)começa justamente contra o Operário.

Contra os efeitos colaterais do Empolgol, nada melhor que uma sopa de cautela. É bom que Colorado e Galo se previnam para evitar medicamentos mais agressivos num futuro próximo.

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